3.3.04

Desafio IV




"O corpo e a alma precisam de novos desafios."

Paulo Coelho, "Manual do Guerreiro da Luz"


2.3.04

Algumas considerações sobre a blogosfera sardoalense

Desde os finais de Setembro de 2003 algumas publicações na Internet têm promovido e entretido a Vila Jardim. Aproveitando o sucesso do fenómeno “blogue” a nível nacional, em que a simplificação das tecnologias permitiu a qualquer “semi analfabeto” nos domínios da informática construir um website, alguns Sardoalenses decidiram apanhar esta “onda” e criar algumas publicações nas quais se abordam múltiplas perspectivas deste início de século XXI sardoalense.

Numa Vila desprovida de novidades e notícias, onde nada parece suceder, é óbvio que a publicação regular de devaneios humorísticos, pequenos factos do dia a dia, crítica social e, porque não admiti-lo, alguma política, mexa de imediato com o dia-a-dia dos Lagartos.
Ideias Fictícias, Pens@r Sardoal e Sardoal Virtual vieram complementar (ou se calhar completar por inteiro) as páginas dos jornais da região e as horas de emissões hertzianas dispensadas à realidade local do Sardoal. Certo é, que não se devem inventar notícias e factos (a verdade é que há quem o faça) mas não são necessários acontecimentos relevantes em catadupa para que a Vila tenha uma maior projecção na imprensa regional.
A imprensa regional parece responder cada vez menos a alguma ânsia das populações do interior, que procuram “âncoras” na divulgação da sua cultura, costumes e tradições.
A identificação das populações com personagens, vivências, lugares e maneiras de estar, da forma que são abordadas na blogosfera sardoalense, permitem, quase de imediato, estabelecer uma enorme empatia com estes trabalhos. Este facto é, naturalmente, a principal razão do sucesso dos “blogues” Lagartos. Não estará longe o dia em que alguns textos do Ideias Fictícias terão um condão do tipo “Contra Informação”, ou seja, algumas pessoas começarão a pedir para que se também se graceje com elas...

As motivações que levam à criação deste tipo de trabalhos podem ser diversas mas todas elas apresentam um denominador comum, o carinho pelo Sardoal. Onde muitas vezes se procuram motivações políticas ou teorias conspirativas, deve procurar-se, pura e simplesmente, paixão por uma terra encantadora. Essa paixão pode ser expressa de múltiplas formas e com diferentes abordagens. É por isso que o Pens@r Sardoal, Ideias Fictícias e Sardoal Virtual são necessariamente diferentes. São projectos elaborados por três pessoas completamente distintas e com visões desiguais do Sardoal, mas em que se nota um traço comum, o orgulho em ser Lagarto.

Apesar de se poder falar em “sucesso” destas publicações, o canal da sua divulgação, a Internet, ainda não apresenta a taxa de penetração nos lares concelhios que permita a difusão destes trabalhos a uma escala considerável. Por enquanto, apenas alguns nichos vão tendo acesso a estas publicações. Nichos que podem ser explicados por, factores sócio-económicos (a Internet ainda é uma ferramenta dispendiosa), pela idade (a apetência pelas novas tecnologias continua a prevalecer nas faixas etárias mais jovens), ou pela disponibilidade da Internet no local de trabalho (não será por acaso que grande parte dos visitantes da blogosfera sardoalense são oriundos da Câmara Municipal de Sardoal).

Muitas vezes, existe a interrogação por parte do Lagarto, acerca das actividades desenvolvidas pelos principais movimentos associativos do concelho. Por vezes parece que tudo está mergulhado no marasmo habitual e isso nem sempre sucede. O destaque dado a essas actividades na imprensa regional é residual e apesar do excelente trabalho efectuado no Boletim Municipal, a sua periodicidade está compreendida em períodos temporais demasiado extensos para que a promoção e divulgação de determinadas actividades se mantenha actual ou pertinente. Tendo em conta, a cada vez mais acessível, utilização das ferramentas para a criação de “blogues”, este meio poderia ser usado por algumas das associações locais para difundir as suas actividades actuais. Seria muito interessante a criação de um “blogue” do movimento associativo local. Um “blogue” divulgador de actividades do G.D.R. Lagartos, da F.U.S., do G.E.T.A.S., dos Resineiros, e outras associações. É algo que se pode fazer, literalmente, a custo zero. É somente necessária boa vontade e a habitual carolice de dirigentes, e associados, destas colectividades.

Passados mais de cinco meses desde a criação do primeiro blogue dedicado ao Sardoal, o movimento “blogger” Sardoalense está sólido e em forma. Espera-se que a comunidade “blogosférica” cresça com brevidade para que seja possível avaliar mais, e diferentes, perspectivas de abordar o Sardoal. E, por que não, para que o “II Encontro de Blogues Sardoalenses” seja um pouco mais concorrido...


"Todas estas considerações foram, a pouco e pouco, levando Carlos a um desses estados de impaciência e de agitação de espírito, inconciliáveis com o repouso do corpo, o qual provocam a acção, ao movimento."

Júlio Dinis, "Uma Família Inglesa"


29.2.04

Porque Hoje é Domingo

"O eucalipto grande do Sardoal

Reconhecido e titulado, muito justamente, como «árvore de interesse público» (D.G., nº 13, II série, de 17-1-1972), o eucalipto gigante que se ergue logo à saída norte do Sardoal, na berma da estrada municipal nº 532 que segue rumo ao entroncamento de Valongo, vem a ser o exemplar do seu género, com maior porte e imponência que se encontra em toda a Europa Ocidental, não se conhecendo qualquer outro que atinja os 80 metros de altura e os 20 de perímetro na base, que este apresenta.

As suas raízes, invulgarmente possantes, esventram a terra até bastante longe; quando há anos por exemplo, se restauravam as paredes laterais do cemitério, encontraram-se nos caboucos, muitas dessas «radículas», mais grossas do que punhos de homem, a cerca de 500 metros de distância da árvore.

Pois chega-nos agora a curiosa informação de que um jornal de actualidades a ser exibido no grupo dos «complementos» a um filme de produção franco-italiana, que corre centenas de salas de cinema em França, são passadas algumas imagens focando este célebre eucalipto, indicando claramente a sua localização em Portugal (apenas com o lapso de mencionar Sardoal como pertencente ao concelho de... Santarém!), reportagem essa que vem enquadrada num subtítulo geral de «Curiosités du monde végetal».

Os emigrantes da nossa zona que, descuidadamente e sem de todo o ponto o contarem, hajam deparado com esta insólita novidade, decerto hão-de ter ficado altamente sensibilizados com tão inesperada evocação da sua terra."


Jornal de Abrantes
4 de Maio de 1979

28.2.04

A chuva quer estragar isto mas a rapaziada não se deixa esmorecer!

Devido às chuvas que estão a cair neste início de tarde na Vila Jardim, informamos que o local do "I Encontro de Blogues Sardoalenses" foi definitivamente alterado para o Café do Vital. Às 16.30 lá estaremos.


"(...) começara a cair uma chuva grossa e sonora; a trovoada arrastava-se, ao longe."

Eça de Queirós, "O Primo Basílio"


27.2.04

É já amanhã!!!



Programa Oficial

16.30 - Recepção aos conferencistas
16.45 - Início das intervenções
16.56 - Previsão das primeiras discussões mais acaloradas
17.00 - Côro Break
17.34 - Continuação dos trabalhos
18.02 - Início da Romaria em direcção ao Café do Vital
18.20 - Controlo de Qualidade à melhor Bica da Vila Jardim
18.32 - Vital põe os conferencistas em sentido devido à enorme agitação e barulho
19.00 - O stock de minis esgota
19.15 - Pausa nos trabalhos
20.00 - Concentração junto às "Três Naus"
21.00 - Início do repasto
22.00 - Hora prevista para a "duplicação" de intervenientes no encontro
23.00 – Início da debandada geral rumo aos bares locais
Hora Imprevisível – Final do I Encontro de Blogues Sardoalenses


Vá lá lagartagem, toca a aparecer! Isto até vai meter comes e bebes. A modos que "Festa do Bodo" mas mais pequenininha!...


"(...) eles depois desforram o bandulho na adiafa que o lavrador lhes dá."

Manuel Ribeiro, "Planície Heróica"


Resultados Finais da Sondagem, "Qual o Jogador mais Importante da Presente Temporada?"

Em mais uma votação, muito pouco concorrida, os nossos leitores determinaram qual o jogador com mais preponderância no onze do G.D.R. Lagartos.
Os resultados finais apuraram dois jogadores: Rodolfo "Rochedo" Guimarães e Nuno "Nuclear" Passarinho.
Apesar da ausência de "Rochedo" à alguns jogos, devido a lesão no joelho, os leitores de Sardoal Virtual não esqueceram as prestações desse verdadeiro "dínamo" do meio campo Lagarto em boa parte da temporada. Aguarda-se para breve o seu regresso aos pelados.
Quanto a "Nuclear", a habitual segurança que transmite à defesa, em boa parte, devido a extraordinárias defesas realizadas jogos após jogos, também foi recordada pelos nossos leitores.
Pode conferir os resultados finais aqui.


"Bom seria que todos ajudassem a propagar este achado muito melhor do que o bola-pé, o pédi-bola, o futebol."

Agostinho Campos, "Glossário"


26.2.04

Jet Bee

Apesar de não ser no Sardoal, a discoteca “Jet Bee”, em Abrantes, é a discoteca que há longos anos culmina muitas das noites de fim-de-semana do Lagarto.
A “Jet” é a discoteca de debute pré-adolescente Lagarto. A primeira ida à “Jet” serve como apresentação, um pouco pueril, à restante sociedade adolescente de todo o Ribatejo Norte. É a discoteca onde muitos Lagartos de uma faixa etária entre os 15 e os 30 anos fizeram a sua estreia disco-dançante. Muitos desses Lagartos também tiveram oportunidade e “chama” suficiente para fazerem outro tipo de “estreias” bem mais dissolutas...
A falta de oferta regional deste tipo de estabelecimentos de animação nocturna tem conduzido a “Jet” a soluções desleixadas e insípidas. (A concorrência é salutar em qualquer ramo de negócio, e isso ainda se nota mais neste tipo mercado.)
Uma actuação de Dj na “Jet” é, neste momento, e no mínimo, uma requintada delícia para melómanos. Em que outra discoteca se poderá ouvir, por exemplo, uma lamechice pop do Robbie Williams totalmente cilindrada por um punhado de batidas anárquicas; ou uma melodia simpática da Jennifer Lopez com uma aceleração de batidas por minuto que ultrapassa o bom senso. A voz da formosa Jenny parece ser substituída pela voz da personagem Lisa, dos “Simpsons”.
Apesar do ar entediado do Dj, noite fora, o “performer” dá mostras de algum altruísmo e a partir de determinada altura volta a repetir a mesma sequência de músicas, com que tinha “torturado” a clientela dançante duas horas antes. Assim, para quem chega mais tarde, é possível ficar a par daquelas músicas que foram grandes hits das pistas de dança há 4 anos atrás. Como se espera que um Dj seja dotado de um mínimo gosto musical, talvez a explicação possa ser assacada à míngua de brio de profissional...
A “Jet” usa um sistema de exaustão de fumos, no mínimo, original. O ambiente, a partir de determinada hora, fica tão carregado de gases de combustão de cigarros que para minimizar o sufoco dos clientes são accionadas umas turbinas para dissipar o fumo, junto à pista. Parece que os clientes, que estão a dar o seu pé de dança, vão ser sugados tecto acima.
A decoração da discoteca tem como linha dominante o minimalismo. O minimalismo de despesas... Tirando os posters comprados no hipermercado, ou os lençois pendurados, onduladamente, na pista de música latina, fica sempre aquela impressão que estamos num barracão que dá música.
Hoje uma ida à “Jet” pode ser uma experiência cheia de peripécias e próxima a um visionamento de uma edição da “BBC – Vida Selvagem”. É possível encontrar várias espécies dos frequentadores tipo de discotecas de província. Entre estas espécies destacam-se algumas que pelas suas características únicas sobressaem dentre as demais:

“Bailador” – esta espécie ocupa preferencialmente o topo das chamadas “colunas”. A partir deste ponto privilegiado, o “Bailador” aproveita a visão panorâmica para lançar olhares sedutores (pensará ele!...) às meninas dançantes, enquanto procura espernear-se ao máximo para se fazer notado. Escusado será dizer a alguns destes bailadores que o cabelo “à emigrante” já teve melhores dias...

“Perseguidor” – este género movimenta-se por toda a discoteca perseguindo uma vítima escolhida aleatoriamente dentre aquelas que tenham formas minimamente generosas. Após a escolha da “presa” a perseguição prossegue boa parte da noite, especialmente na “pista”. Se após o pedido, pouco original e entediante, “Posso-te conhecer?”, a resposta não for afirmativa aos seus intentos, a perseguição finda e é escolhida outra “presa”. Claro que há os “perseguidores”, “chatos como a potassa”, que mesmo após várias negas, continuam a aterrorizar uma pobre menina dançante que só queria passar a noite a menear-se com sons exóticos, tipo “Kuduro”.

“Avaliador” – o avaliador passa a maior parte da noite a mirar de cima a baixo as meninas pelas quais passa. Após tiradas as “medidas” é feita uma interjeição facial singular que mostra o ensejo desejado por todos os membros do grupo (os “avaliadores” movimentam-se em matilha), “Qual é a gaja que me vai pôr as hormonas na ordem?”. Obviamente a pergunta assume uma forma retórica pois não parece haver meninas disponíveis para “acalmar” uma horda masculina salivante...

“Esfregona” – o tipo “esfregona” é um dançarino que saracoteia próximo de um grupo de meninas isoladas nas quais se vai, literalmente, esfregando. Pode ser contemplado com um tabefe por uma menina mais empertigada, mas isso até é desejado pelo “esfregona” visto que o contacto físico intenso com alguém do sexo oposto é tão escasso que o tabefe pode converter-se num potente estimulante...

Eram necessárias, e desejáveis, mais discotecas aqui pela região. A diversidade da oferta seria boa para a clientela, que teria outros locais para terminar as suas noites e bom para a própria “Jet”, que deixaria de estar acomodada ao estatuto de única discoteca regional. Mas, mais uma vez, a iniciativa privada regional parece andar a dormir!...


"(...) trocam-se as interpelações e os risos entre os dançadores e os espectadores."

Pinheiro Chagas, "A Morgadinha de Valflor"


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