11.10.03

Pregões de Parede



A declaração de amor pode revestir-se de diversas formas. Um bilhete remetido timidamente por interposta pessoa, envio de SMS ou de correio electrónico, ou para os mais destemidos, a declaração frontal e sem rodeios do sentimento que lhes tem roubado tantas noites de sono.
No entanto, existe um tipo de declaração, secular, que parece estar a ganhar novo alento neste dealbar de século XXI. Os pregões escritos em locais públicos, nomeadamente paredes.
O local da Vila onde este estilo de depoimento romântico parece estar a surgir em larga profusão, sita na Travessa de Santa Catarina, junto à Quinta de S.Miguel.
Nesta travessa, podemos encontrar uma vasta gama de pregões, escritos com vários tipos de materiais, mas onde o vulgar spray de graffiti, parece ter alguma preponderância.
Como este parece estar ser o local oficial de declarações de amor, não se iniba. Se tem uma paixão assolapada, que lhe tem roubado o merecido descanso nocturno, e não arranja aquele quinhão de coragem para dar a mostrar a tempestade que tem dentro de si à pessoa amada, pegue na sua lata de spray, pense numa bonita reunião de palavras, e dê a conhecer a quem passa, o mais bonito sentimento do mundo. Quem sabe se a pessoa que deseja para alma gémea, não passa por lá e fica embevecida com os seus vocábulos de afecto.
Os proprietários dos muros e portões circundantes não deverão achar o acto muito gracioso, mas por amor vale a pena arriscar...


“Juro que te amo... esta declaração já em nada poderá prejudicar-te.”
Aloísio Azevedo, “O Mulato”
Serviço Público

Sardoal Virtual está em condições de avançar que o G.D.R. Lagartos foi convidado para o jogo inaugural do novo estádio da Luz. No entanto, por motivos de calendário, o G.D.R. teve de recusar o convite. Este jogo iria condicionar a preparação da jornada do fim-de-semana seguinte, da 2ª divisão distrital. Depois desta nega, o S.L. Benfica avançou para o Nacional de Montevideu que prontamente aceitou o convite.

10.10.03

Relvem as Ruas Velhas



Aproveitando uma ideia gerada por um dos candidatos autárquicos(*) nas últimas eleições, o alcatroamento da zona conhecida por Ruas Velhas (zona histórica da Vila, para quem não sabe do que se fala), Sardoal Virtual faz uma proposta com a mesma génese mas que difere na substância.
Se o motivo do alcatroamento era evitar que as senhoras prendessem os saltos dos sapatos entre os seixos do rio,sic , Sardoal Virtual faz uma proposta com um âmbito mais alargado e com outro tipo de preocupações ecológicas. Reconverter toda a zona histórica da Vila, num enorme centro de lazer e desporto, procedendo ao seu atapetamento com relva.

O arrelvamento das Ruas Velhas é pleno de vantagens:

-> Aumentaria exponecialmente as zonas verdes dentro da Vila;
-> A sua manutenção permitiria a contratação de, pelo menos, mais 3 jardineiros pela Câmara Municipal, com a consequente diminuição da taxa de desemprego no Concelho;
-> O G.D.R. Lagartos podia converter o largo da Cadeia Velha no seu recinto desportivo; as dimensões do campo de futebol seriam semelhantes às actuais, e com certeza os adversários na condição de visitantes ficariam impressionados com a capacidade da Vila, por ter um campo relvado na 2ª Divisão Distrital;
-> Permitiria a criação de um parque de desportos radicais, em que os expoente máximo seriam as descidas de tobogã Rua da Espinhaça abaixo;
-> Potenciais quedas dos transeuntes seriam mitigadas pela suavidade do tapete;
-> As senhoras não prenderiam os saltos dos sapatos...

(*) Escusado será dizer que o visionário candidato não provocou mais que derisão...


“O sol de estio temperado pela brisa dos outeiros espalhava uma doce tepidez no campo e nos relvados.”

Xavier Marques, “O Feiticeiro”

9.10.03

Parágrafos de Afecto



O Sardoal é uma mulher! Perfumada, florida, colorida, com recantos de deleite e prazer. Nós só amamos as mulheres a que aspiramos conhecer os pequenos pormenores, os pequenos recantos que escondem virtudes, prazeres e que transmitem carinho e paixão.
Como todas as mulheres, a nossa Vila gosta de dramatismo, gosta de sofrer e gosta de se apaixonar por quem a faz sofrer. As mulheres nem sempre amam quem lhes quer bem. Amam os pretendentes de discurso fácil e fluído, que prometem ilusões, e aparentam o zénite da moralidade e da dedicação exacerbada. Amam os mais bem vestidos, os mais endinheirados, aqueles que à partida lhe darão uma vida mais desafogada.
Mas há quem esteja na sombra, com profunda paixão e carinho; e que não a deseja necessariamente para si, quer que ela seja feliz. A Vila será feliz, se escolher os homens de bem para o seu lado, pois esses terão como único interesse a felicidade do Sardoal, e não uma qualquer janela de oportunidade para promoção pessoal.
Há quem queira "fazer amor" com esta mulher, mas há por aí tantos que só a querem "foder"!...

Porque a Vila tem vida própria...


"Há quem tenha o desejo de amar, mas não tenha a capacidade de amar."
Giovanni Papini

8.10.03

Chegada do Outono



O Outono chega ao Sardoal como chega a grande parte das vilas e aldeias beirãs(*).
As folhas das árvores iniciam a sua trajectória vertical, o fumo das queimadas gera a neblina dos finais de tarde, chegam às mesas os primeiros cachos de uvas morangueiras, o cheiro a mosto invade as narinas junto às adegas das aldeias, as primeiras chuvas devolvem aos transeuntes o cheiro a terra molhada.
Um dos bons locais para aquilatar a chegada do Outono, no seu esplendor de cor e som, fica nos arredores da Vila, o Vale da Amarela.
Para quem não sabe como se deslocar até ao local, pode sair da Vila em direcção a S.Simão; ao fundo do Vale de Encimão, encontra o cruzamento que dá início ao Vale da Amarela.
Entende-se por Vale da Amarela, a extensão de ribeira compreendida entre a ponte de S.Simão e o cruzamento da estrada nacional que leva a Andreus. O Vale da Amarela é um local particularmente feliz, pois ainda dispõe de muita vegetação nativa, da dita floresta mediterrânica. Choupos, medronheiros, azinheiras, castanheiros, sobreiros.
Sugere-se a paragem do automóvel junto à fonte, logo a seguir à ponte, e que se percorra toda a estrada a pé até ao seu final. Se for um caminhante corajoso, pode embrenhar-se na vegetação, e descer da estrada até à ribeira, acompanhando o curso contrário ao das águas da ribeira, e com sorte descobrirá uma das cascatas que existem ao longo deste vale.
Fará uma caminhada acompanhado, por milhares de tonalidades de árvores e plantas, pelo chilrear dos tordos e das pardocas, pelo som do correr das águas em direcção à ribeira de Alferrarede.

Outras sugestões de bons "miradouros" de Outono:

- caminho de terra batida entre S.Simão e Sentieiras, ao longo da ribeira. Com o atractivo, de poder visitar as ruínas da Igreja de S.Miguel de Alferrarede;

- toda a zona envolvente ao mágico Chafariz das Três Bicas;

- a panorâmica sedutora disponível no adro da Igreja Matriz;

- caminho entre Entrevinhas e Presa, ao longo da Ribeira do Cabril, com especial destaque para a parte final do percurso, junto a Rosa Mana.


"Na palidez da tarde. entre a folhagem
Que o Outono amarelece..."

Eça de Queirós, "A Ilustre Casa de Ramires"


(*) Bem sei que o Sardoal está disposto na região ribatejana, mas há quem não se deixe convencer...

7.10.03

Brasão Século XXI



O brasão do concelho dispõe de um lagarto amorfo, que a entrada no século XXI não justifica. Este Lagarto, conduziu, entre outras coisas, à denominação dos habitantes da Vila, Lagartos. Para que se evitem conotações clubisticas, muitas vezes inconvenientes (ser sportinguista não está fácil!...), Sardoal Virtual propõe a mudança do animalejo por um de maiores dimensões. Sardoal Virtual tem duas sugestões:

1º- Aproveitando a popularidade de Jóli (ver entrada do dia 30.9.03), colocar o seu focinho no escudo de armas da Vila e trocar as três flores de liz, por três garrafas de mini Cristal;

2º- Colocar uma cabeça de burro no lugar do lagarto. Desta forma, apelava-se à consciência das populações na protecção da espécie, e aproveitando a ambiguidade que o seu significado confere, mostrar qual a raça que mais tem progredido nestas bandas neste ínicio de século. É que ao contrário dos lagartos, asnos parecem não faltar por aí...


"... nasceu na casa de lavradores, os brasões de seu pai eram os utensílios da lavoura."

Camilo Castelo Branco, "Livro de Consolação"

6.10.03

Casa Falcão



Os estabelecimentos comerciais, ditos, tradicionais, caíram em declínio com o surgimento das grandes superfícies comerciais. Na nossa região, esse declínio, começou em meados de 90, com o surgimento da cadeia Intermarché em Abrantes.
Algumas lojas acabaram por fechar, outras reformularam-se, outras ainda, mantiveram, insistentemente, a sua gama de produtos e a mesma forma de funcionamento. A "Casa Falcão" enquadra-se neste último grupo.
Servindo várias gerações de sardoalenses, desde há décadas, neste estabelecimento comercial, é possível encontrar praticamente tudo. O saudoso slogan da antiga Rádio Antena Livre, "Casa Falcão, o verdadeiro centro comercial de Sardoal, muitas lojas numa só.(...)", não podia ser mais acertado. Para quem não conhece, a "Casa Falcão" divide-se em 3 zonas. O balcão junto à entrada serve a secção de retrosaria, o balcão seguinte serve a secção de mercearia, e última secção dispõe de artigos de pronto-a-vestir e calçado. Provavelmente, a grande maioria dos jovens sardoalenses comprou o seu primeiro par de sapatilhas na "Casa Falcão".
Existem produtos naquelas prateleiras, que já não se encontram à venda em lugar algum. Talvez por isso, alguns jovens mais irreverentes, procurem a "Casa Falcão", na altura do Natal, para comprar lembranças, para a troca de prendas da turma, com uma carga mais exótica. Em que outro local é possível encontrar ainda produtos da gama "Couto", ou da gama "Olex"?
Durante a década de 80, o Natal chegava à Vila quando a "Casa Falcão" enfeitava as suas montras, com brinquedos e luzes. Nessas épocas a loja era um local de passagem obrigatório para todas as crianças, ansiosas por sonhar com o último modelo dos Transformers ou dos Nenucos no sapatinho.
Longe do fulgor e popularidade doutros tempos a “Casa Falcão” mantém ainda assim, um núcleo de clientela fiel, que ainda não se converteu por inteiro, às compras massificadas nas grandes superfícies comerciais.

A "Casa Falcão" é um dos últimos símbolos do comércio sardoalense.


"A casa parecia ter sido puxada por uma mão misteriosa que a tivesse arrastado para longe."

Camilo José Cela, "A Família de Pascoal Duarte"

5.10.03

Porque Hoje é Domingo

Noticiário Regional

Sardoal

Bodas de Ouro

No passado dia 19 de Outubro, comemoraram as suas "Bodas de Ouro" matrimoniais, o casal D. Maria da Conceição Salgueiro Grácio e José Grácio.

Muito conhecido e estimado, soube ser, ao longo deste meio século, um casal amigo e respeitador, muito unido, até nas horas menos boas que todos, infelizmente, passamos.

Natural do Sardoal, onde reside é pai de 5 filhos, 13 netos e 3 bisnetos.

"Jornal de Abrantes" cumprimenta o simpático casal, na passagem destes 50 anos de matrimónio e faz votos para que possam comemorar com saúde e alegria as suas "Bodas de Diamante".


Jornal de Abrantes, nº 3981
28 de Outubro de 1977

Jóli "vence" competição na "Foto Digital" Jóli - para quem ainda desconhece, digno e prezado "relações públ...