27.12.03

Vinho da Terra Bem Cotado



O "Anuário de Vinhos", de João Afonso, na sua edição de 2004, "degusta" 1500 vinhos nacionais de qualidade. Entre eles, tecem-se algumas referências +/- elogiosas aos vinhos produzidos na sardoalense Quinta do Côro. Transcreve-se de seguida, com a devida vénia ao autor, (e com esperança de Sardoal Virtual não ser processado por danos de direitos de autor), a análise ao vinho mais bem cotado do lote sardoalense analisado nesta prestigiada publicação vínica.

"Quinta do Côro Cabernet Sauvignon/Trincadeira 2002
S.A.A. Mascata

(amostra)

A fruto macerado e geleia de frutos silvestres, focado no tema. Boca com bom volume, taninos mastigáveis, alguma densidade e final firme e teso ao fruto e barrica. Promete. (2,30€) 83/87"


A classificação atribuída corresponde a um vinho considerado, "muito bom: com qualidades especiais, recomendado".


"Em vossos olhos bebia
O vinho do vosso olhar
Taça não há tão sombria
Num vinho assim de encantar"

Afonso Lopes Vieira, "Para Quê?"

25.12.03

Presépio da Igreja Matriz, um pretexto



O presépio da Igreja Matriz é bastante simples este Natal. Compõe-se das figuras mais simbólicas e absolutamente necessárias. O menino Jesus, sua mãe, o homem que lhe deu o nome (a concepção deu-se em forma de milagre por uma entidade divina), o burro (esse animal tão simpático e tantas vezes ofendido), a vaca (as mesmas palavras usadas para o burro aplicam-se aqui), e os Reis Magos. Não há pastores nem rebanhos, não há lavadeiras, não há cursos de água, não há muitas das figuras que compõem os presépios mais faustosos. Mas o que realmente faz falta neste presépio é o musgo. Bem se sabe, que o musgo é coisa que começa a rarear um pouco por estas bandas, mas a um presépio de Natal sem musgo não devia ser autorizado chamar-se de presépio. Invente-se outro substantivo.
Longe vão os tempos em que os natais sardoalenses eram "iniciados" com o presépio da Igreja Matriz e as iluminações das montras da Casa Falcão (já repararam que ainda existem daqueles trens de cozinha de brincar que faziam as delícias dos infantes nos idos de 80? Reparem na montra...). Hoje em dia, a instalação da iluminação natalícia (este ano deveras simples e circunscrita, a crise a isso obriga) da Câmara Municipal dá o sinal de partida para o início da quadra na Vila Jardim. Daqui até aos Reis os abusos (g)astrónomicos vão provocar muitas azias matinais, já para não falar dos abusos de índole líquida pelas frias noites festivas, que poderão dar bastantes dores de cabeça e enjoos matinais. Haja contenção a bem da saúde lagarta!...
Há uma coisa que faz falta na noite de Natal sardoalense. Uma tradição secular e que parece estar "adormecida", uma grande fogueira comunitária, em local simbólico. O Adro é o local ideal, para que os sardoalenses depois das consoadas em família, possam gozar da afamada camaradagem lagarta, noite fora. Haja a fortuna de alguém promever estas labaredas natalícias no próximo ano.


"Como meu Deus e Senhor, tratarei de vosso santo Presépio, e daquele ditoso diversório sagrado, aonde vós, sendo Divino, por amor dos pecadores, quisestes nascer humanado."

Pantaleão de Aveiro, "Itinerário"

23.12.03

Receita da Época (*)

Cabrito Assado

Ingredientes:

- 1 cabrito (com 3/4 kg);
- 3 limões;
- 6 dentes de alho;
- 100 g de banha;
- 1 ramo de salsa;
- 0,5 dl de azeite;
- 2 folhas de louro;
- 1,5 dl de vinho tinto;
- 2 kg de batatas (de preferência curvas e pequenas);
- 300 g de cebolas;
- Água, sal, pimenta e colorau q.b.

Limpar o cabrito. Cortar em rodelas o limão. Colocar o cabrito em água fria com rodelas de limão durante 4 a 5 horas. Descascar e lavar o alho. Lavar a salsa e o louro. Pisar no almofariz o alho, um pouco de sal e a salsa. Adicionar a pimenta, o colorau, a banha e o azeite, misturar bem. Juntar o louro cortado em pedaços e cerca de um quarto do vinho tinto e envolver muito bem. Escorrer e enxaguar o cabrito, salpicar com um pouco de sal e o restante vinho tinto, e esfregar bem com a preparação obtida anteriormente. Colocar o cabrito numa assadeira de barro e deixar repousar durante duas horas.
Descascar e lavar as batatas e as cebolas. Cortar em pequenos pedaços a batata e em gomos a cebola, salpicar a batata e a cebola com um pouco de sal. Dispõr a batata e a cebola em redor do cabrito e levar ao forno a 170 ºC. Cortar o cabrito em pedaços e servir bem quente.
Sugere-se vinho da terra a acompanhar, "Quinta do Côro", na sua variante Carignan. Bom apetite

(*) - Receita a pedido do prezado leitor Daniel Grácio.
Redefinição das Leis da Física Vs. Falta de Civismo



Têm aparecido por estas bandas alguns depósitos de lixo doméstico nos locais mais inusitados, especialmente junto a cursos de água. Sardoal Virtual nunca esquecerá a mítica carcaça de uma máquina de lavar roupa, em pleno curso de água, na Ribeira do Cabril.
Estes depósitos de lixo têm intrigado Sardoal Virtual por uma simples razão: a Câmara Municipal, através dos seus serviços de recolha de lixo, procede à colheita dos despojos Lagartos com a frequência que se conhece. Além destas recolhas, existe um serviço camarário, mensal, que procede à recolha de lixos de grandes dimensões ou de natureza imprópria para a convencional recolha de lixo doméstico. Para requerer este serviço, basta uma ida aos serviços competentes, ou para os mais atarefados e com menos disponibilidade, um curto e prático telefonema. Apesar deste serviço municipal, o que leva então alguém a pegar numa máquina de lavar roupa (ou lixo doutra estirpe), transportá-la para uma carrinha de caixa aberta, tudo isto durante a calada da noite, andar por carreiros esconsos em busca de um lugar, não muitas vezes recôndito, e lançar uma máquina de lavar roupa para o leito de uma ribeira? Quando com um simples telefonema podia tratar, sem qualquer esforço da sua adequada eliminação!... Ninguém na plenitude das suas capacidades faz isto, logo a explicação terá de ser bastante mais sobrenatural!... Ou o Lagarto, por natureza um cidadão cívico, ensandeceu de vez, ou apelando a alguma força divina tem exercido a prática da levitação de lixos vários, mas por alguma razão estranha, esta capacidade desvanesce-se junto a cursos de água, o que leva à queda abrupta destes pelos declives sobraceiros às ribeiras do concelho. (O que se pode constatar neste momento no Vale da Amarela, em que alguém, sucessivamente, tem deixado cair lixo dos céus. Velhas malas, livros, roupa, entre outros...)

Afinal, há por aqui Lagartos mais dotados do que se pensava!...


"...metia nojo aos porcos. Fartei-me de varrer lixo e teias de aranha."

Aquilino Ribeiro, "A Batalha sem Fim"

22.12.03

Receita da Época

Sonhos de Abóbora

Ingredientes:

- 0,5 l de água;
- 150 g de abóbora menina;
- casca de 1/4 de limão;
- 150 g de manteiga;
- 1/2 cálice de aguardente;
- 10 ovos;
- 150 g de açucar;
- 350 g de farinha.

Colocar num tacho com a abóbora, a casca de limão, a manteiga e a aguardente. Levar ao lume até ferver.
Misturar a farinha e cozer, mexendo sempre, até a massa se despegar do fundo do tacho. Deixar arrefecer e misturar os ovos, um a um. Deitar colheradas de massa em óleo fervente. Retirar quando estiverem louros. Passar por açúcar e canela.
Noutros tempos foi assim!...

"Festividade de Natal

"Ande o frio por onde andar, o Natal o vai buscar", diz o povo e com razão, pois que se apresentou este ano frigidissimo, e com tal inclemência que apesar de tantos sardoalenses que estavam entre nós, a passar as consoadas com a família, as ruas estavam desertas, pois só quem tivesse necessidade de o fazer saía à rua.
Na noite de Natal apesar do frio, celebrou-se à meia noite a missa do galo, na Igreja Matriz, que se encontrava quazi cheia fiéis.
Não queremos deixar de fazer uma referência a um monumental presépio que foi erguido no Externato Rainha Santa Isabel, na nossa vila, no qual apreciamos belos trabalhos manuais alusivos ao presépio, e uma deslumrante iluminação que vista à noite, dava ao presépio grande imponência e valor.
Foi simpático o gesto dos proprietários daquele estabelecimento de ensino que durante aqueles dias e noites teve o presépio em exposição, franqueando a entrada a quantos quiseram visitar."

Regresso Natalício



A época que atravessamos é propícia a milagres. Desta forma, Sardoal Virtual associa-se à quadra e produz o seu pequeno milagre, ressuscita por uns dias. Em príncipio serão somente alguns dias em que se abordarão algumas temáticas, não necessariamente sobre a quadra que atravessamos, no mesmo estilo que notabilizou este blogue. Se o Menino Jesus for generoso para Sardoal Virtual pode ser que o regresso deste pasquim cibernético-lagarto se prolongue por mais tempo que o previsto pelo seu autor.
Espero que desculpem este semi-regresso, mas é uma forma de dar aos amigos deste blogue uma virtual prenda de Natal.
Aproveitando a deixa, ficam votos de Boas Festas e um Próspero Ano Novo.


Cordialmente,

Brutal Deluxe


"Mas como foi isto, meu Deus? Como foi isto? Que milagre foi este? Ai que versos Maria Santíssima! Que versos! (...)"

Júlio Dinis, "A Morgadinha dos Canaviais"

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