9.1.04

Resultados da Sondagem, "Qual a melhor bica da Vila Jardim?"



Numa animada, mas nem sempre concorrida, sondagem que se procedeu neste blogue, procurou-se determinar, com o rigor que uma votação destas pode ter, qual o local onde se bebia a melhor bica na Vila Jardim. Os resultados finais revelaram dois primeiros classificados: Café Palhota e Café do Vital. Ambos com 22% das votações, correspondendo a 4 votos, mereceram a honrosa distinção de serem considerados os "fiéis depositários" da melhor bica sardoalense.
Note-se o facto, da notável capacidade de mobilização do "Café do Vital", pois conseguiu convocar grande parte da sua clientela fiel para esta votação.

Confira os resultados finais aqui: Qual a melhor bica?


"gabou a frescura das ramadas, um bispo... ali tomava o seu café rezando o breviário"

Castilho, "Amor e Melancolia"


P.S.- O "boletim de voto" demora bastante tempo a carregar o que faz com que algumas pessoas nunca tenham vislumbrado esta sondagem. Sardoal Virtual é totalmente alheio a esta demora. No entanto, em futuras sondagens, procurar-se-á melhorar este sistema.

7.1.04

Cartão de Lagarto por Assiduidade

Muitos daqueles que visitam o Sardoal pela primeira vez mostram-se, invariavelmente, conquistados pelos encantos da Vila Jardim. A uma primeira visita, sucedem-se visitas crónicas, tantas, que a determinado momento, o forasteiro sente esta terra como também sendo sua. Mas ser Lagarto é algo mais do que ser visita assídua à Vila.
Os Lagartos, os verdadeiros - não as cópias baratuchas -, sabem um pouco da história da sua terra, conhecem as melhores vistas, sabem onde estão as árvores classificadas, sabem os nomes das ruas típicas e tradicionais, sabem que Gil Vicente não nasceu por cá (mas por alguma razão gostava disto), sabem quais as fontes donde brota a melhor água, sabem reconhecer as qualidades e os defeitos da terra onde vivem.
Para aqueles que sendo estranhos à Vila e desejam reclamar o título de Lagarto, sugere-se a criação de um "Cartão de Lagarto por Assiduidade"; com quotização - as finanças do país já estiveram melhores e sempre dá para meter uns €€€ para os cofres da terra.
Para isto, parece pertinente a Sardoal Virtual que se estabeleçam algumas condicionantes a todos aqueles que, sendo peregrinos, desejam obter o honroso estatuto de Lagarto. Para avaliar, caso a caso, os pretedentes, seria estabelecida uma comissão de avaliação, que elaboraria provas semelhantes aos saudosos "Passeios Mistério". Estes passeios seriam as provas iniciais para os proponentes ao estatuto de sardoalense. Após a realização destas provas e caso a classificação fosse favorável, proceder-se-ia à prova final. Esta prova final consistiria no emborque de uma "mini" em cada café, bar ou tasco da Vila Jardim, numa única tarde, e isto depois de ter vibrado in-loco numa emocionante disputa futebolística do G.D.R. Lagartos. Interrogar-se-á o leitor, "Mas quantas minis são necessárias para tamanha epopeia?!". Em contas debitadas por alto, aproximadamente duas dezenas. Mas a dureza da prova é compreensível e necessária. Há duas coisas que não faltam a um verdadeiro Lagarto, um fígado resistente e uma saudável "ida à bola".
Caso o forasteiro consiga suportar a dureza e rigor do exame final, haverá um churrasco onde após algumas bifanas e mais umas quantas grades de minis, lhe será atribuído o distinto e enobrecedor estatuto de Lagarto.

"Sê bem vindo, és cá da terra!"


"A virtude do bom cidadão deve pertencer a todos porque é esta a condição necessária para a cidade ser a melhor; mas, por outro lado, a virtude do homem bom não pode pertencer a todos, já que não é necessário que sejam homens bons os cidadãos que vivem na cidade perfeita, tanto mais que a cidade é composta por elementos distintos."

Aristóteles, "Política"

6.1.04

Roteiro Emocional do Lagarto

O Lagarto é um “bicho” emotivo e nunca receia demonstrar as suas emoções (excepto se estas colocam em causa a sua virilidade, perante os outros másculos Lagartos!...). Para aqueles que desconhecem as emoções usuais do Lagarto, confidenciam-se aqui algumas das ocorrências que despoletam os sentimentos do cidadão – mais ou menos comum – da Vila Jardim.

Alegria – Quando, no início de Setembro, se começam a montar expositores e palcos pelas ruas da Vila...

Amor – Pelas fontes, pelas sacadas floridas, pelas vistas, pelos ares, pelas capelas, pelas festividades, pelas árvores de excepção...

Comoção – A audição das primeiras notas debitadas pela Filarmónica das músicas que pontuam a Procissão dos Fogaréus, nas celebrações da Semana Santa...

Estupefacção – Constatar que a menos de dois anos das eleições autárquicas a (verdadeira) oposição continua desaparecida em lugar incerto...

Excitação – O Centro Cultural está prestes a “alvoraçar” a Lagartagem...

Inquietação - ...se houver eventos em quantidade e qualidade!

Mofa – Algumas das personagens, cheias de pretensões, que vão pontuando o dia-a-dia da Vila...

Orgulho – Ostentar no bilhete de identidade, no campo “Naturalidade”, Sardoal...

Paixão – Pela Vila encantada e encantadora...

Regozijo – Ouvir as informações de trânsito matinais das grandes cidades e saber que, por aqui, o pior engarrafamento que se pode suportar são 2 minutos atrás de uma carroça ou de um característico “Papa – Reformas”...

Simpatia – Pelos últimos “resistentes” que se deslocam ao Mercado Municipal para mercadejar os seus produtos agrícolas...

Tristeza – Observar que anda por aqui um rancho de rapazotes com apetência pelo “graffiti” e pelo furto...

Veemência - ... e que muitos Lagartos estão exasperados , e impacientes para os “agasalhar”!...


"Pois era a imensidade de anos que levava a chegar lá, através de jardins encantados, onde cada recanto de bosque oferecia a emoção inesperada de um flirt, de uma batalha, ou de um banquete..."

Eça de Queirós, "Cartas de Amor"

5.1.04

Há coisas que nunca vão mudar!...

Uma das melhores formas de aquilatar a história de um povo, e de como determinados feitios parecem perdurar século a após século, é dada pelas deliciosas histórias que as gerações mais velhas se encarregam de transmitir às gerações mais novas. Muitas vezes do domínio do imaginário, há pequenos contos e lendas, que dizem mais sobre a forma de estar de um povo, do que qualquer jornal regional que se preze (na nossa região isto não é nada díficil de verificar!...)
Eis uma dessas histórias que provavelmente só os velhinhos, muito velhinhos, terão ouvido falar...

Aquando da elevação do lugar de Sardoal a Vila, a 22 de Setembro de 1531, por D. João III, foi ordenada a demarcação de um novo termo da novel Vila. Para efectuar estas novas demarcações foram criadas duas comissões de "homens bons", uma Abrantina e outra Sardoalense, que seriam responsáveis pelo estabelecimento das novas fronteiras concelhias. Apesar da contestação dos nossos vizinhos abrantinos pela perda de uma parcela do seu concelho as novas demarcações foram efectuadas e a 10 de Agosto de 1532, D. João III, concedeu a nova carta de demarcação de termo à Vila do Sardoal.

Passemos agora domínio do conto...

Para demarcar os novos limites concelhios chegou-se à seguinte fórmula, os Homens Bons de Abrantes e Sardoal deviam postar-se às portas dos respectivos Paços do Concelho, à mesma hora, provavelmente de madrugada, e aguardar que alguns tiros de bombarda fossem disparados das ameias do Castelo de Abrantes. Estes disparos seriam o tiro de partida para o início de um percurso a pé em que ambos os grupos de homens se iam dirigir em sentidos opostos. Os homens bons de Abrantes partiriam em direcção ao Sardoal, e os homens bons "Lagartos" partiriam em direcção a Abrantes. No local onde se cruzassem seria colocada a nova marcação que delimitaria os concelhos.
Avaliando a distância dos Passos do Concelho do Sardoal até essa marcação, o lugar conhecido como Marco, e comparando com a distância que os Homens Bons de Abrantes percorreram, podem ser colocadas duas questões:

Terão os Homens Bons de Abrantes saído antes dos disparos?
Ou será que a Comissão Lagarta se deixou dormir?

Deixa-se a óbvia refutação a cargo do prezado leitor!...


"Enfermiços, cansados, comodistas, incapazes de entenderem as realidades e de entenderem com elas."

Agostinho de Campos, "A Fé no Império"
A Praça Nova está assim esta noite!



"O pensamento pode ter elevação sem ter elegância, e, na proporção em que não tiver elegância, perderá a acção sobre os outros. A força sem a destreza é uma simples massa."

Fernando Pessoa, "O Livro do Desassossego"

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