18.10.03

Lagarto de "Caras"



Na edição desta semana da colorida revista “Caras”, além de ficarmos a saber que Catarina Fortunato de Almeida tem um excelente relacionamento com Zé Maria (o que foi um alívio!...) ou que Cristina Leite (também não fazemos ideia de quem seja!) sempre desejou ter uma família grande, há uma referência a uma figura bastante ligada ao Sardoal. Infortunadamente, não é nenhuma reportagem sobre alguma esplendorosa festa do Jet-Set local, ou sobre a vida amorosa de alguma personalidade da fina flor da nossa vida social. É algo bem mais comezinho, infelizmente para aqueles que desejam conhecer um pouco mais das vidas de tão ilustres concidadãos.
A "Caras" dá destaque a Vicente Gil, que se presume ter sido o nosso tão prestigiado Mestre do Sardoal. Provavelmente Vicente Gil não nasceu no Sardoal, mas pelo prestígio e renome que deu à nossa Vila, pode ser considerado um Lagarto de pleno direito. Tomara que todos os forasteiros que têm desembarcado na nossa terra dessem uma pequena parte do contributo que o Mestre do Sardoal concedeu.
Vendo bem, não é qualquer sardoalense que tem destaque na "Caras"...


"Há neste reino grande, oficiais de ofícios mecânicos, assi douro como prata, ferro e pau, e pintores mui singulares."

Castanheda, "História da Índia"

17.10.03

Muralhe-se a Vila!



Quem já visitou Óbidos, concerteza notou as semelhanças entre a sua zona histórica e a zona histórica da nossa Vila. As casas estão caiadas de branco, as sacadas estão floridas, respira-se história em cada pedra da calçada. Há mesmo uma rua por lá que parece ter sido decalcada da nossa Rua do Paço.
Óbidos é um dos mais prestigiados destinos turísticos do nosso país e o Sardoal ainda não é. Porque será?
O segredo está nas muralhas. Óbidos é uma vila muralhada e o Sardoal não.
As muralhas dão uma outra perspectiva ao visitante, tornam o ambiente mais medieval, apelam mais à imaginação histórica, quase que nos colocam dentro da História. Qualquer visitante de Óbidos não resiste a subir até às ameias de granito, circundar a vila lá no alto e vislumbrar os telhados das habitações, os coloridos alegretes, ver a paisagem circundante à Vila (se o tempo estiver favorável, pode avistar-se o mar!).
Sardoal Virtual faz aqui uma proposta radical mas que em muito pode contribuir para a divulgação da Vila, e colocá-la definitivamente no roteiro de qualquer turista competente. Muralhar a Vila! Desta forma teríamos uma Vila com mais requinte histórico, o que impulsionaria o turismo, e quem sabe aumentaria o comércio turístico, algo em que o Sardoal é altamente deficitário.
As muralhas também poderiam ter uma vertente de defesa, não para nos defender de qualquer horda de invasores, como em séculos passados podiam ter servido, mas para impedir o acesso a alguns grupos amantes da estultícia (vindos de algumas aldeias vizinhas ao Concelho), que por vezes nos visitam nas noites de fim-de-semana e dos quais dispensaríamos a visita.
A indústria extractiva dos granitos agradeceria tal iniciativa pois iria revitalizar um mercado que desde o século XVI está em acentuado declínio. Já não se fazem castelos como antigamente...
É verdade que não teríamos anais das muralhas com a sua história e acontecimentos mais relevantes, mas os Lagartos são criativos e rapidamente se encarregariam de colocar algumas das principais personagens da nossa história a combater invasões muçulmanas no topo das ameias, ou até mesmo, reis a gerar bastardos nalguma guarita ou torre de menagem.

Referende-se a proposta. Os sardoalenses devem decidir.


"E quando a lua desponta por cima dos castanheiros, êsse astro tantas vezes invocado pelo velho lirismo da localidade, não hesitaria em reconhecer na sua decantada serra, no alcantilado relêvo da penedia, nas ameias do castelo dos Mouros, na densa espessura dos arvoredos, no murmúrio da água por entre os musgos, no cheiro das giestas úmidas de orvalho (...)"

Ramalho Ortigão, "As Farpas"

16.10.03

Sugestão Nocturna



Muitas noites, após o fecho dos estabelecimentos de animação nocturna, é habitual espalherem-se grupos de boémios, pelos mais variados recantos da Vila. A hora do encerramento é prematura para os Lagartos. O Lagarto não gosta somente de estar esparramado ao Sol, também gosta de devaneios nocturnos. Como a licença outurgada pela Câmara Municipal não vai além das duas da manhã, o Lagarto tem de procurar outros recantos onde possa prolongar a tertúlia.
O Adro da Igreja Matriz, o Chafariz das Três Bicas, o Jardim da Tapada da Torre, a Praça Nova (ou das Tílias, para os mais tradicionalistas), são algumas dessas metas de fim de noite. Mas esses locais muitas vezes, por serem tão populares, estão bastante preenchidos com outros grupos expurgados dos bares, o que de alguma forma pode condicionar os planos para esse final de noite (partilhar cinco Super Bock e um queijo de azeite com trinta estróinas pode revelar-se uma tarefa digna de figurar na Bíblia, ao lado de uma célebre multiplicação divina!). Portanto, se deseja um lugar mais recatado e mais reservado para pôr termo às suas noites de rambóia ou somente para fazer uma pit-stop antes de se recolher noutros locais mais privados, Sardoal Virtual sugere-lhe um local muitas vezes esquecido, a Fonte Velha.
Muitos nem saberão onde é tal fonte, talvez a foto ajude a recordar a localização, mas de certeza que muitos já por lá passaram, quem sabe se em direcção ao Sobreiro de Dona Maria, ou os mais radicais, em direcção ao Telheiro.
A Fonte Velha é um local isolado, com algum estacionamento (não mais do que dois automóveis), com iluminação que permite ver o suficiente e que não compromete o bom nome de ninguém.
Como está um pouco distante de qualquer edífico habitado, não existem condicionalismos ao volume sonoro das conversas. Os assentos no local podem ser facilmente convertidos em palco, isto se os pândegos estiverem a preceito, tanto para cantar como para outras actividades de entretenimento. Os caprichos do álcool podem converter alguma alma mais reservada em potencial striper.
É um local resguardado dos ventos, o que é uma vantagem, naquelas noites em que as Nortadas não estão de feição para convívios ao ar livre.
E se ouvir ruídos nas águas não se assuste, são só as rãs mergulhando nas águas serenas da fonte, saudando a companhia de tão respeitosos convivas.

Fonte Velha, local de passagem, raramente de paragem.


"Fomos postar-nos com estudada antecipação na passagem dos ramboieiros... Eles lá vinham sinuosos, em alpargatas, mãos à frente tacteantes, verdadeiros Filhos da Noite."

Aquilino Ribeiro, "Uma Luz ao Longe"

15.10.03

Vizinhanças Altruístas



Os Sardoalenses são um povo generoso, afável, afectuoso, amigo do seu amigo e bastante altruísta (sobretudo se o altruísmo não lhes sair do bolso).
Um dos melhores exemplos desse altruísmo lagarto, é a forma descomprometida como a vizinhança partilha os seus gostos musicais entre si. Este fenómeno dá-se particularmente nos chamados "bairros sociais" da Vila.
Generosamente, a vizinhança eleva o volume do seu sistema de recepção radiofónico, até décibeis próximos daqueles produzidos por um MIG 21, e partilha com os demais tão belos e profundos temas, que só um melómano atento e ávido por requinte musical poderia conhecer. Como é bom, enquanto procuramos pôr a leitura em dia, ou simplesmente descansar um pouco da azáfama diária, sentir a vibração das janelas, em ritmo harmonioso com as ondas sonoras que rasgam os ares.
Um dos momentos mais gratificantes destas transmissões, que é mostra da preocupação pelo próximo, é a difusão radiofónica, em volume tonitruante, nas manhãs de Sábado e Domingo, dos programas de discos pedidos. E toda a experiência, é bastante mais enriquecedora se a própria vizinha acompanha as melodias com a sua portentosa e melódica voz.
No fundo, o que os cuidadosos vizinhos querem fazer ouvir, às 9.30 da manhã de Domingo, é que a vida é demasiado curta para estarmos a desperdiçar uma manhã de fim-de-semana em repouso no leito, obstando o sono reparador e obrigando assim o ocioso vizinho a levantar-se; após uma noite que acabou às 6 da manhã...
São pessoas magnânimes, que põem o bem comum à frente da sua saúde, pois duvida-se que tais volumes sonoros, não prejudiquem com alguma gravidade o ouvido interno, podendo ter desta forma problemas auditivos ou de simples equílibrio.
Que bom é, iniciar os domingos ao som do galante Tony Carreira ou da fogosa Claudisabel.


"Isto cá é a confraria, e tudo o resto é chinfrinada."

Eça de Queirós, "Os Maias"

14.10.03

Lagartos Dementes



Na última sexta-feira, 10 de Outubro, no "Telejornal", noticiava o diligente José Alberto de Carvalho que estudos recentes apontavam para cerca de um milhão de portugueses com problemas psiquiátricos, cerca de 10% da população nacional.
Fazendo algumas contas de cabeça, mesmo correndo o risco de cometer alguma imprecisão de ordem estatística, isto quer dizer que 10% da população da Vila sofre de problemas da psique. Ora, 10 % da população, serão aproximadamente 150 pessoas. 150 Lagartos desprovidos de funcionamento mental coerente!...
Com os resultados deste estudo parece ter sido encontrado esclarecimento para alguns acontecimentos que têm tido lugar nesta Vila de há algum tempo para cá.
E aquilatando bem o correr dos dias na Vila Jardim, a percentagem até é capaz de estar a pecar por defeito...


"Todas as coisas são de tal natureza que, quanto mais abundante é a dose de loucura que encerram, tanto maior é o bem que proporcionam aos mortais. Sem alegria, a vida humana nem sequer merece o nome de vida. Mergulharíamos na tristeza todos os nossos dias, se com essa espécie de prazeres não dissipássemos o tédio que parece ter nascido conosco."

Erasmo de Roterdão, "O Elogio da Loucura"

13.10.03

Precaução com a Tradição



Saibam aqueles que estão apaixonados por alguma formosa sardoalense e que não parecem estar a ser correspondidos, que existe uma forma, embora algo remota, de que um dia ela seja vossa esposa. Sendo assim, podem deixar de redigir correspondência para o "Consultório Sentimental" da revista "Maria", deixar de lado os feitiços de algum mestre africano farto em poderes esotéricos, ou devolver à dona o "Livro de São Cipriano".
Diz a tradição popular que homem que beba água das três bicas do Chafariz casa no Sardoal. Claro que pode dar-se o acaso probabílistico de lhe calhar outra sardoalense que não aquela que andava debaixo de olho. E azar dos azares, ser até um pouco menos afortunada nas formas do que a "lagarta" que pretendia inicialmente. De qualquer forma casaria no Sardoal, e mesmo que não tivesse um casamento feliz, teria sempre o privilégio de morar na sedutora Vila Jardim.
No entanto, se não está tão apaixonado assim, é melhor não arriscar. Refresque-se com as águas que brotam do Chafariz, mas só de uma bica ou duas. Nunca se sabe, a "tradição popular" ainda lhe podia causar alguns transtornos afectivos... e um divórcio não fica nada em conta!...


"Que seja infinito enquanto dure."

Vinicius de Moraes

12.10.03

Porque Hoje é Domingo

Noticiário Regional

Sardoal

A Quem de Direito

Não se extinguiu ainda o clamoroso sucesso em que redundou a festa da inauguração das obras da nossa Fonte Férrea, ao qual nada mais teremos a adjectivar, tal o movimento que trouxe à terra.
Por circunstâncias várias, no entanto, nem tudo correu como era nosso desejo e o de todos os Sardoalenses, havendo uma anomalia, para o que tomamos a liberdade de chamar a atenção de quem de direito.
É já falta que se vem sentindo há anos, os escassos e deficientes mictórios e sentinas públicas, tanto na quantidade como na qualidade, o que mais notório se tornou, naquele memorável dia 15 de Junho, em que a vila foi invadida por uma multidão contada em perto do milhar, a maioria forasteiros, que quando necessitados de utilizarem aquelas instalações, ou as não encontravam, e os que as chegavam a utilizar, faziam-lhes referências pouco abonatórias, para uma terra tradicionalmente limpa e acolhedora.
Mas o caso atingiu maior gravidade por parte das senhoras, pelo facto de para elas não existir qualquer instalação apropriada e foi frequente, terem de recorrer aos cafés, solicitando o favor de as deixarem utilizar os seus lavabos e casa de banho.

Uma vez que o Sardoal, é terra(graças a Deus) dotada de bastante água, e agora que nos parece, que uma lufada de melhoramento, embelezamentos e iniciativas nos vão chegando, tomamos a liberdade de apelar para a Câmara Municipal e muito especialmente para o Sr. Presidente da Edilidade, no sentido de se dotar a vila com umas instalações sanitárias públicas, decentes, a condizer com o bom nome da terra. Para referência poderíamos tomar como orientação o que a vizinha vila de Mação, nos oferece neste capítulo.

Para tal, achamos que a nossa Câmara possui locais, bem centrais e com fácil adaptação.
Aqui fica o alvitre.


Jornal de Abrantes, nº 3572
19 de Julho de 1969

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