25.10.03

Refundação do Pelourinho



Os pelourinhos, colunas de pedra ornadas, colocados em sítios centrais de cidades e vilas, foram locais onde, em tempos idos, os munícipios exerciam a sua justiça.
O Sardoal com toda a sua riqueza histórica não podia deixar de ter o seu pelourinho. Reconstí­tuido por volta de 1934, nas comemorações dos 400 anos da elevação do Sardoal a Vila, é conhecido pelo bonito enquadramento em que se encontra, sendo um dos nossos mais célebres cartões de visita.
Longe vão os tempos em que a justiça medieval usava tal sí­mbolo de poder para exercer as suas punições nos Lagartos mais pilantras da nossa Vila. Hoje, além de ser uma das "mobílias" mais bonitas de um dos nossos "salões", é usado como arqui-bancada para o palco durante as Festas do Concelho. Cidadãos precavidos e atentos, ocupam os degraus do pelourinho, para obterem as melhores vistas para o palco.
Para utilizar melhor os recursos desta terra, Sardoal Virtual sugere a refundação do Pelourinho com os propósitos iniciais. Que melhor maneira de ver que a justiça funciona, do que alguns gândulos expostos em público depois de comportamentos desviantes numa sociedade organizada e sem crime.
Às vezes dá vontade de ver alguns pendurados por lá...


"...amarrava-te ao pelourinho do escárneo público, visto que não pôde fazer-te deslocar os ossos no cavalete da Inquisição."

Camilo Castelo Branco, "A Caveira da Mártir"

24.10.03

Referendos



Os referendos são uma ferramenta que possibilita ao cidadão estar mais próximo das decisões. Chamando os eleitores a opinar sobre determinadas matérias cria-se uma oportunidade de gerar o debate e assim despertar consciência social e política de cada um.
Sardoal Virtual faz algumas sugestões de questões a ser referendadas com brevidade, a bem do desenvolvimento da nossa Vila.

"Deve ser plantada uma Palmeira, no local da Palmeira fulminada, para que daqui a 100 anos voltemos a ter nova Árvore classificada?"

"O Pelourinho deve, em conformidade com o código penal, voltar a servir de local de humilhação pública para deliquentes?"

"Entende proveitosa a candidatura da Vila do Sardoal a património mundial?"

"Concorda com a reconversão da "Casa Grande" em estabelecimento de animação nocturna?"

"As Festas do Concelho devem ter a duração de três semanas?" (o seu fígado suportará tal acto de coragem?)

"Seria do seu entendimento a aglutinação entre o G.D.R. Lagartos e o G.D. Alcaravela?" (Com novo estádio a ser erigido em Valongo.)

"Aceita a implementação de um novo sistema de canalização na Vila que além de água transporte outros lí­quidos?" (Cerveja, Vinho Tinto, Leite...)

"Deve ser erigida a primeira estátua da Vila, com o busto de Jóli?"

"Considera benéfico para o erário municipal a criação de um imposto sobre dislates proferidos na Vila?" (Prevê-se a aquisição de um cofre de grandes dimensões.)

"É da sua concordância a importação (em regime de exclusividade) de exóticas bailarinas do Leste Europeu e fogosos bailarinos da América Central para actuações no palco da Praça Nova?"

"Autoriza a colocação de uma substância corante nas águas das Piscinas Municipais que detecte prevaricadores urinários?"

"Aprova um convite aos Rolling Stones para que actuem nos festejos dos 500 anos de elevação do Sardoal a Vila?" (no ano 2031)

"Entende que a instalação de um sistema sonoro na torre da Igreja Matriz, que emita de hora a hora "Põe a Mã do Teu Senhor", do Padre José Luís Borga, dinamizará o turismo religioso na Vila?"

"Deve ser criada uma caderneta, em regime coleccionável, com as figuras típicas (vulgo "cromos") da nossa localidade?"

"Concorda com a emigração da Vila para um país "a sério"?"


Nos próximos dias, Sardoal Virtual tecerá considerações acerca da virtude da aprovação de algumas das questões apresentadas.


"Deixava ao arbítrio dêles a escolha entre estas duas soluções."

Alexandre Herculano, "Da Origem e Estabelecimento da Inquisição"

23.10.03

A Última Toca do Lagarto



O tempo parece passar cada vez mais depressa. Os anos passam fugazmente. Não tarda estaremos curvados sobre a bengala, bocas desdentadas e com os sentidos cada vez menos apurados. A incapacidade de tomarmos conta de nós próprios vai-se acentuando com o passar da idade, o discernimento deixa de ser o mesmo, e é cada vez mais necessário alguém que zele pela nossa qualidade de vida.
Chegados à terceira idade muitos Lagartos começam a acorrer aos serviços do Lar da Misericórdia. Podem começar por receber as refeições em casa, fazer centro de dia e, numa última etapa, chegar à aposentação nas instalações junto ao Convento.
Por vontade própria, mas muitas vezes "depositados" pela família, os Sardoalenses são acolhidos pela sua última grande família. As pessoas com as quais vão conviver até ao fim das suas vidas, os "velhos" amigos, as empregadas que zelosamente deles irão cuidar.
Passarão os últimos anos da sua vida com a dignidade que uma vida muitas vezes ingrata terá furtado. Comida à mesa, roupa lavada, cuidados de saúde (além de loucos torneios de sueca e intrincadas competições de croché).
Cada vez é mais díficil arranjar uma vaga no Lar. Há cada vez mais idosos e cada vez menos vontade das famílias para deles cuidarem. Portanto se considera estar numa idade respeitável e deseja passar os seus últimos dias nesta "toca", faça a sua inscrição e aguarde vez. A sua velhice não tardará a chegar...

Muitas vezes esquecemo-nos de os respeitar, mas um dia todos o seremos.


"... verdadeiro asilo de velhice desamparada, onde fui encontrar centenário um, e octogenários os outros, quatro remanascentes das velhas senzalas de engenho."

Gilberto Freyre, "Casa-Grande e Senzala"

22.10.03

Euro 2004



Aproveitando a organização desse retumbante evento pelo nosso país, Sardoal Virtual, lança um repto às autoridades competentes, para que iniciem a construção, em ritmo ciclónico, de um centro de estágio que esteja dotado com as infra-estruturas requeridas pela UEFA para albergar as equipas participantes. É verdade que os requisitos para a elaboração de um projecto deste tipo são de enorme exigência, mas a capacidade de improviso e de trabalho dos Lagartos, iria surgir com todo o fulgor e construir-se-ia um centro de estágio digno das melhores equipas mundiais.
Há bastante espaço para erigir o complexo e quanto ao financiamento concerteza não faltarão mecenas dispostos a contribuir para a sua edificação.
Albergando uma das selecções presentes no Euro, o Sardoal teria uma projecção internacional sem precendentes, com óbvios benefícios para todos os sectores da vida social da Vila. Todo o Sardoal seria usurpado por estes turistas futebolísticos que poderiam inquirir pessoalmente todo o esplendor da Vila Jardim. Os agentes económicos agradeceriam esta iniciativa, pois após estes anos de crise, nada como uma invasão planetária, para rechear avultadamente as caixas registadoras.
Caso fosse uma selecção britânica a aprontar-se no Sardoal, pareceria pertinente a criação de um roteiro de adegas e tascos concelhios, escrito na língua materna dos turistas. Sabe-se como os excursionistas britânicos que acompanham as suas selecções gostam de sorver líquidos com densidade alcoólica generosa. Quase que se consegue imaginar os adeptos ingleses a encher com a sua enebriada disposição o "Café Rita" em ameno convívio com alguns dos distintos frequentadores de tão eminente botequim.
No entanto, espera-se que os convites para o centro recaíam sobre as selecções escandinavas. É conhecido o físico portentoso dos seus jogadores, mas também das suas adeptas.
Nem só de futebol vive um homem...


"Depois... de bem e devidamente chasqueados pelos viajantes e turistas estrangeiros..."

Luís de Camões, "Castilho"

21.10.03

"Arrumações"



A densidade do tráfego automóvel dentro da Vila está a incrementar dia-a-dia. Isto é particularmente notado durante os dias de semana. Ora, este quantitativo de veículos tem trazido alguns problemas de circulação automóvel. Além de diminuir a fluidez do trânsito, torna-se cada vez mais díficil encontrar parqueamento para muitos dos potentes bólides que circulam nas estradas concelhias.
Não querendo avançar com a ideia peregrina de portagens nos acessos à Vila (se bem que "portajar" a Vila iria resolver grande parte da questão), Sardoal Virtual dá uma outra sugestão que pode minimizar, pelo menos, o problema do estacionamento.
Em muitas cidades e vilas portuguesas é habitual encontrar-se a figura do arrumador de automovéis. Homem prestável que em troca de um expedito parqueamento, não pede mais que uma moedinha que faça expiar tão conveniente serviço. Além disso, ainda zela cuidadosamente pela segurança dos veículos (como se sabe a "segurança dos veículos" desta terra anda um pouco em risco de há tempos para cá...).
Lança-se aqui o repto para a contratação de alguns arrumadores, pelas autoridades competentes, que ponham alguma ordem no estacionamento cada vez mais caótico da Vila. Aproveitem-se alguns daqueles que estão a ser dispensados de algumas cidades portuguesas. A grande vantagem deste serviço é a sua expensa para o erário público, que é nula. O cidadão usufruidor é que retribui a obrigação tão gentilmente prestada.
Esta medida teria também a vantagem de dar ao Sardoal uma imagem de alguma modernidade. Núcleo urbano que se preze tem de ter, obrigatoriamente, os seus arrumadores.

"Destroce o volante. Destroce tudo..."


"O oculista, fora dos grandes centros é um animal andejo. Não pode estacionar permanentemente no mesmo ponto."

Monteiro Lobato, "O Macaco Que Se Fez Homem"

20.10.03

Toponímia de Excepção



O estudo da toponímia é fundamental para a compreensão da etnografia de um povo. Esse estudo pode fazer-se, desde a classificação por línguas até às causas que promoveram o aparecimento dos topónimos, isto é, o seu sentido.
Por esta Vila, existem dezenas de ruas com nomes que facilmente podem ser explicados. A génese do topónimo Travessa dos Ferreiros ou Largo da Amoreira, não parece particularmente árdua de determinar. Mas como explicar Poço da Ratinha?!
Do Poço não há já qualquer vestígio, apesar da sua importância em séculos passados (Até mereceu carta régia no século XVI!), mas o que dizer da Ratinha?
No ínicio deste estudo etnográfico, Sardoal Virtual interrogou-se acerca do significado deste substantivo. Pensámos que podia estar relacionado com os movimentos de camponeses nos anos 40 e 50, para o Alentejo, para trabalhar nas ceifas, os ratinhos. Uma dessas trabalhadoras rurais poderia ter tido habitação junto ao Poço e devido à popularidade obtida nas suas lides, não necessariamente agrícolas, ter-se-ia tornado a fiel depositária do dito.
No entanto as referências ao Poço, atravessam os séculos e a explicação da Ratinha agrícola cai por terra.
O substantivo Ratinha, pode ter conotações mais concupiscientes. Pode referir-se à parte pudenda feminina, o que tornaria a explicação do topónimo bem mais simples.
Sempre houve "ratinhas" no Sardoal e provavelmente nesse largo existiu uma particularmente dotada, que se tornou tão popular, que acabou por baptizar o Poço. Felizmente ainda parece haver por aí muitas "ratinhas" prendadas...
No entanto, para que a toponímia não seja discriminadora para com as nossas outras concidadãs, Sardoal Virtual, sugere a alteração para Poço das Ratinhas. Com esta alteração, todas as sardoalenses poderiam tornar-se donas de um património histórico, mesmo desaparecido. Pois não havendo qualquer disfunção de ordem anatómica, todas as Lagartas têm uma...


"...não hesito em afirmar que o nome que lhe deram (...) é um claro absurdo de toponímia..."

Brito Camacho, "Gente Rústica"

19.10.03

O Adro Esta Noite Está Assim!



"Ler é sonhar pela mão de outrem. Ler mal e por alto é libertarmo-nos da mão que nos conduz. A superficialidade na erudição é o melhor modo de ler bem e ser profundo."

Fernando Pessoa, "O Livro do Desassossego"
Porque Hoje é Domingo

Sardoal

Acampamento do I.N.E.F.

“As alunas finalistas do I.N.E.F., que entre as suas matérias teórico-práticos têm a cadeira de Campismo, estudada sob um ponto de vista do mais minucioso detalhe e pormenor, vêm fazer este ano ao Sardoal, nos vastos domínios da Quinta de S. Bruno, o seu acampamento final de treino, para prova técnica culminante daquela secção do seu Curso.

Assim, a partir de hoje, esta Vila passa a ter, durante algum tempo, a presença de largas dezenas de jovens atletas da nossa Escola Superior de Educação Física que, com a sua presença irradiante e a sua simpatia afectuosa irão, sem dúvida, tornar ainda mais explendente este magnífico jardim que é o Sardoal, precisamente no mês das flores, a época mais bela do ano, que justamente consagrou a nossa Terra, desde há muito, como a VILA-JARDIM do Ribatejo.

Muitas dezenas de futuras professoras de Ginástica vêm realizar, pois, o seu acampamento final nos subúrbios da nossa terra, sob a supervisão directa da Dr.ª Ingrid Figueiredo, uma distinta professora de nacionalidade sueca, de renome e prestígio internacionais.

Estando incluído, também, no plano didáctico-pedagógico da referida Cadeira um estudo monográfico da região escolhida para aquelas provas de campo, com incidência particularmente desenvolvida e detalhada, sobre os seus valores étnicos, sociais, folclóricos e culturais, as estudantes finalistas daquele Curso Superior têm, assim, largas possibilidades de fazer uma vultuosa colheita de elementos consignativos das nossas grandes potencialidades – as quais, infelizmente, não são, ainda, bem conhecidas do grande público com o pormenor e largueza que bem mereciam e justificavam.

Em nome das gentes da nossa terra queremos apresentar, desde já, os melhores cumprimentos de boas-vindas a essas jovens universitárias, garantido-lhes, antecipadamente, todo o nosso muito respeito, admiração e simpatia.
Que sejam bem-vindas, pois, e que levem as melhores recordações da sua estadia entre nós.”


Jornal de Abrantes, nº 3564
24 de Maio de 1969

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