22.11.03

Locais de Camaradagem Para Noites Invernosas



A chegada do Inverno acarreta um dilema para os amigos do convívio nocturno lagarto, locais abrigados para prolongar as conversas de final de noite. Ao contrário do Verão, no Inverno as conversas costumam finar-se pelas duas horas da madrugada. O frio e a chuva convidam à reclusão junto à braseira ou junto a um moderno "climatizador". Preferencialmente acompanhada de umas castanhas assadas e um copo (só um!...) de Água-Pé.
Infortunadamente, a nossa Vila não dispõe de locais particularmente acolhedores para tertúlias invernosas ao ar livre. No entanto, há sempre um ou outro Lagarto mais corajoso que parte à procura de um recanto que permita a partilha de saborosa conversação, previamente "estimulada" em bar Lagarto (ou "Puro" se for esse o gosto!).
A primeira sugestão é as escadas do Mercado Municipal. Aqui pode estar abrigado da chuva e do vento, embora este local seja praticamente dentro da Rua Lúcio Serras Pereira, o que trás o inconveniente de estar sob a observação de quem passa, o que por vezes pode não ser muito aconselhável. Sobretudo naquelas noites em que as "Super Bock" podem transmitir a sensação aventureira de trepar portões.
De seguida temos as "traseiras" da Fonte do Pelourinho, na Praça da República. Aqui o abrigo da chuva é praticamente nulo, mas em noites mais ventosas, pode revelar-se um bom asilo das massas de ar mais gélidas. Aqui encontra também a grande vantagem de poder estar num local onde a sua presença não é notada por quem passa. O que é uma vantagem para quem gosta de avistar as movimentações nocturnas, por vezes bem curiosas, que outros Lagartos noctívagos apresentam nas licenciosas noites de Inverno da Vila Jardim...
Para finalizar, a sugestão mais subversiva e recolhida do restrito lote, as traseiras da Biblioteca Municipal, junto aos degraus da porta das traseiras. Tem a vantagem de estar abrigado da chuva e do vento, sem que esteja num local de passagem. Outro privilégio do local é o facto de estar algo isolado o que permite que os assuntos mais acesos possam ser debatidos com os devidos décibeis. Neste local ninguém aparece a passear os cães, às horas mais estranhas da madrugada.
Mas as nossas forças da autoridade costumam passar, nas suas rondas nocturnas, por este escondido recanto...


"Qual sono! O sangue está-me a pedir rambóia!"

Aquilino Ribeiro, "Mônica"

21.11.03

G.A.S.E.S. No Jardim

De há algum tempo a esta parte a nossa Vila tem sido objecto de escrituras contestatárias que se presume terem como alvo as políticas desenvolvidas pela autarquia. Embora, em parte dos casos, não passem de impertinentes referências pessoais a quem ocupa os principais cargos de decisão concelhios. São escritos nas paredes, panos estendidos em locais de passagem ou comunicados à população lançados anonimamente pela calada da noite, que procuram alertar as populações para coisas que poderão estar incorrectas.
Como se duvida que estas manifestações partam todas do mesmo grupo de abjurados, Sardoal Virtual lança aqui o repto para a criação de um movimento que congregue todos os empreendedores de escrituras desta estirpe.
Este colectivo poderia ter a designação de G.A.S.E.S., o acrónimo de Grupo Alarve de Sandeus Escreventes do Sardoal. Com a união de esforços e recursos destes cidadãos (tanta fotocópia, “grafitti” e metro de tecido, não devem sair baratos...), talvez os habitantes da Vila comecem a despender alguma atenção e relevância aos apelos rabiscados por esses astutos e alácres cidadãos.
Talvez assim, a reacção habitual às atoardas lançadas deixe de ser uma sensação próxima à náusea provocada pelo significado literal do epíteto deste novel grupo...


"... obcecação do reaccionismo político..."

Rui Barbosa, "Art. 6 da Constituição"

20.11.03

O que faz falta no Sardoal?

A nossa Vila como qualquer localidade do interior tem as suas carências. Algumas delas muito importantes para a qualidade de vida das populações, outras nem tanto. Sardoal Virtual expõe aqui algumas que fazem parte do segundo tipo de “carências”. Porque há quem queira uma Vila mais animada.

-> Bar de Trintões/Quarentões
Um casal ou casais dotados de uma idade mais “respeitável” que pretendam um ambiente mais recatado, com uma música ambiente agradável (e com volume sonoro mediano), para que possam conversar amenamente e estabelecer um certo grau de proximidade, não encontra oferta deste género no Sardoal. (A isto também se pode chamar um bar de “engate”.)

-> Pessoas
Mais pessoas dariam uma nova dinâmica à nossa Vila. Rejuvesceriam e fortaleceriam uma série de sectores sociais e económicos, que tornariam o Sardoal numa Vila mais afortunada .
É sabido, que para haver mais pessoas por aqui, tinham de ser criadas determinadas estruturas, mas para falar disso, tinham de ser enumeradas as principais carências da nossa Vila, e esse não é o propósito de hoje.

-> Café Central
Como pode um símbolo nacional desta importância estar ausente da nossa Vila? Um espaço amplo, no centro da Vila, onde se juntem as tertúlias de final de tarde e as senhoras se encontrem para o seu chá. Iluminado pela luz que atravessa enormes vidraças que permitem aquilatar quem passa e como vão correndo os dias na Vila Jardim.

-> Discoteca
A hora mais tardia até à qual se pode beber um copo ou manter uma animada conversa nesta Vila é as 2 da manhã. Uma discoteca permitiria um convívio intra-muros mais tardio, com a consequente reformulação dos horários nocturnos dos lagartos noctívagos e da própria Vila. Uma boa discoteca torna-se até um pólo de atracção, não só para os jovens sardoalenses, mas também para os jovens de concelhos vizinhos, com os consequentes benefícios turísticos e económicos que uma oferta deste tipo pode trazer
Para não ficar aquela sensação de que são só 2 da manhã e a noite ainda teria tanto para dar...

->Oposição (a sério)
Tão importante como as pessoas que tomam as decisões e ocupam os cargos de poder são aqueles que se encontram na “barricada” política oposta. Seria bom a existência de uma oposição organizada, intelectualmente e moralmente honesta. O debate salutar leva a melhores decisões para a comunidade.


"Os pequenos necessitavam ar, sol, uma outra vida diversa daquele abafamento da alcova."

Eça de Queirós, "Contos"

19.11.03

Sugestão às Meninas Casadoiras

O dia da cerimónia matrimonial é muito importante na vida de uma pessoa. Esta importância é ainda mais vincada se a pessoa for mulher. Preocupações com a lista de convidados, a escolha do restaurante (e respectivo menu), com o bolo, com a escolha da igreja, o destino da lua de mel, transformam as semanas precedentes ao cerimonial numa prova de resistência nervosa. O homem geralmente só se preocupa com a despedida de solteiro e com a escolha do seu "espartilho", quando não é a mãe a fazê-lo!..
Mas, de todas as coisas que a mulher tem de seleccionar e depurar existe uma que é primordial e sacramental, a escolha do vestido de noiva. Como as noivas não olham a despesas para se apresentarem no dia do casamento algures entre o deslumbrante e oo extraordinário e gostam do máximo de opiniões na escolha da indumentária, a opção pelo traje tem de se revelar acertada. Sardoal Virtual faz aqui uma recomendação às meninas casadoiras da nosa Vila.
Aquando da escolha do vestido, além das damas de honor, leve também algumas das maiores especialistas da nossa Vila em vestidos de noiva, as senhoras que se postam à saída da Igreja Matriz em dias de casamento. Apesar de não serem convivas da solenidade fazem questão de se apresentar afincadamente em todos os cerimoniais matrimoniais. Este facto, só por si, é revelador do ror de noivas já avistadas por estas observadoras. Seão excelentes conselheiras na altura de escolher o vestido para tão ansiado enlace.
É compreensível que estas senhoras, maior parte delas aposentadas, à falta de outras actividades, procurem animação nestes pequenos festejos da Vila Jardim. Vendo bem, os passeios da 3ª idade, o almoço da Festa do Bodo, as idas à piscina de Ferreira do Zêzere, o encontro anual da 3ª idade, não chegam para preencher a entediante vida dos aposentados sardoalenses.
Uma nota final, estas "analistas" também podem tecer considerações sobre baptizados...


"Assim a alcoviteira é, nalguns pontos de Portugal, chamada onze letras e até mais opacamente dez e um"

João da Silva Correia, - "Rev. Lus, vol. 20"

18.11.03

"Virtudes" do Homem "Lagarto"

Porque Sardoal Virtual não é um palanque machista, muito pelo contrário, ficam aqui algumas das virtudes do homem "Lagarto". Para que as "Lagartas" casadoiras saibam aquilo que poderão encontrar.

- O homem "Lagarto" é um predestinado em conhecimentos futebolísticos. Aliás é o assunto que melhor domina. Um destes virtuosos da análise futebolística pode iluminar uma tertúlia dizendo: "O Argel é o melhor defesa central da Superliga!".

- O homem "Lagarto" conhece como ninguém os botequins desta terra. Ao terminar um dia de emprego pisga-se para os cafés para beber a sua "mini". Não é preciso pensar no jantar ou outras tarefas da lide doméstica. As mulheres servem para alguma coisa!...

- O homem "Lagarto" consegue tecer considerações sobre grande parte das mulheres da Vila. Se não for a sua, geralmente não são "considerações" abonatórias.

- O homem "Lagarto" é especialmente dotado de intelecto e é capaz de manter uma conversa sobre qualquer assunto da actualidade local. Seja o último jogo dos Lagartos, o penúltimo jogo dos Lagartos, ou...


"E só peço a Deus que lhe depare a ela um marido possuidor das suas boas qualidades e do seu saber."

Aloísio Azevedo, "O Mulato"
O Eucalipto Está Assim ao Início da Tarde



"Para realizar um sonho, é preciso esquecê-lo, distrair dele a atenção. Por isso realizar é não realizar. A vida está cheia de paradoxos como as rosas de espinhos."

Fernando Pessoa, "O Livro do Desassossego"

17.11.03

"Virtudes" da Mulher “Lagarta”

Para quem ainda não está convencido da qualidade das nossas concidadãs, Sardoal Virtual, enumera algumas das virtudes da mulher “Lagarta”. Para que alguém saiba dar o devido valor à mulher sardoalense.

- A mulher “Lagarta” é uma observadora atenta da realidade local e dispõe de informações muito interessantes e actualizadas sobre a vida da vizinhança.

- A mulher “Lagarta” acha que os seus filhos são um poço de virtudes. Mesmo que agridam os colegas de escola, risquem carros ou rabisquem paredes. A culpa é sempre de outro.

-A mulher “Lagarta” defende o direito à indignação e sabe exprimi-la alto e em bom som. Especialmente, à varanda, com as outras vizinhas.

- A mulher “Lagarta” preocupa-se deveras com a lide doméstica. O facto de muitas delas passarem o dia pelos cafés, não implica que a casa não se encontre aprumada. Para que servem as filhas?!...

- A mulher “Lagarta” é bastante virtuosa. Casta, pura, bem formada. No entanto, para ela, todas as outras são deficitárias nestas virtudes.


“Não lhe deram outro dote que as qualidades e virtudes da esposa.”

Jacinto Freire de Andrade, “Vida de Dom João de Castro”

Jóli "vence" competição na "Foto Digital" Jóli - para quem ainda desconhece, digno e prezado "relações públ...