A chegada do Inverno acarreta um dilema para os amigos do convívio nocturno lagarto, locais abrigados para prolongar as conversas de final de noite. Ao contrário do Verão, no Inverno as conversas costumam finar-se pelas duas horas da madrugada. O frio e a chuva convidam à reclusão junto à braseira ou junto a um moderno "climatizador". Preferencialmente acompanhada de umas castanhas assadas e um copo (só um!...) de Água-Pé.
Infortunadamente, a nossa Vila não dispõe de locais particularmente acolhedores para tertúlias invernosas ao ar livre. No entanto, há sempre um ou outro Lagarto mais corajoso que parte à procura de um recanto que permita a partilha de saborosa conversação, previamente "estimulada" em bar Lagarto (ou "Puro" se for esse o gosto!).
A primeira sugestão é as escadas do Mercado Municipal. Aqui pode estar abrigado da chuva e do vento, embora este local seja praticamente dentro da Rua Lúcio Serras Pereira, o que trás o inconveniente de estar sob a observação de quem passa, o que por vezes pode não ser muito aconselhável. Sobretudo naquelas noites em que as "Super Bock" podem transmitir a sensação aventureira de trepar portões.
De seguida temos as "traseiras" da Fonte do Pelourinho, na Praça da República. Aqui o abrigo da chuva é praticamente nulo, mas em noites mais ventosas, pode revelar-se um bom asilo das massas de ar mais gélidas. Aqui encontra também a grande vantagem de poder estar num local onde a sua presença não é notada por quem passa. O que é uma vantagem para quem gosta de avistar as movimentações nocturnas, por vezes bem curiosas, que outros Lagartos noctívagos apresentam nas licenciosas noites de Inverno da Vila Jardim...
Para finalizar, a sugestão mais subversiva e recolhida do restrito lote, as traseiras da Biblioteca Municipal, junto aos degraus da porta das traseiras. Tem a vantagem de estar abrigado da chuva e do vento, sem que esteja num local de passagem. Outro privilégio do local é o facto de estar algo isolado o que permite que os assuntos mais acesos possam ser debatidos com os devidos décibeis. Neste local ninguém aparece a passear os cães, às horas mais estranhas da madrugada.
Mas as nossas forças da autoridade costumam passar, nas suas rondas nocturnas, por este escondido recanto...
"Qual sono! O sangue está-me a pedir rambóia!"
Aquilino Ribeiro, "Mônica"