21.3.04

Triagem de Lixo Doméstico Criativa

Respeitando a máxima "Nada se ganha, nada se perde, tudo se transforma" de Lavosier, alguém decidiu depositar no EcoPonto, junto ao supermercado Praça Nova, na Tapada da Torre, um saco de fraldas de bebé, que parecem ter cumprido exemplarmente a sua função. Depois do depósito de roupa velha há algumas semanas atrás, agora é a vez de fraldas usadas. No fundo, tudo isto não passa de reivindicações de algum grupo ecologista local, radical, que parece entender que os Ecopontos deviam receptar outros tipos de lixos domésticos além dos tradicionais, e desta forma procura sensibilizar as autoridades competentes para os seus ideiais. Até onde irá a criatividade desta rapaziada?

Nota: Este texto merecia ser acompanhado por uma foto do facto relatado, mas Sardoal Virtual sabe que há por aí Lagartos com estômagos sensíveis e como estamos próximos da hora do repasto dominical poderia haver por aí alguns almoços estragados. De qualquer forma, qualquer que fosse o ângulo, seria uma "foto de m****"!...


"Mas o barril do lixo estava vazio. Joana tinha-o ido despejar abaixo naquele instantinho."

Eça de Queirós, "O Primo Basílio"


Porque Hoje É Domingo

"Roubo nos Andreus

O Povo deste aldeia pede às autoridades de Sardoal, o mais rigoroso cumprimento dos seus deveres.
Há pouco deram-se os seguintes roubos:

2 libras em papel a um pobre homem, que as guardava para comprar um porco no próximo mercado no Sardoal.

2 lençois do criado do Sr. Prof. José Rodrigues Baptista, professor.

2 galinhas a este senhor, sendo consecutivos muitos outros de hortaliça e objectos de lavoura etc. etc.

Em vista disto seria conveniente que se combinassem rusgas, e, mesmo diversas buscas por que talvez resultasse."



Voz do Artista
1 de Janeiro de 1897

19.3.04

Ela Está a Chegar!!!




"Contigo nos nasce o ano mais fermoso,
Mais rosada, e mais loura a Primavera,
Co céu de alvas flores mais cheiroso"

António Ferreira, "Cartas II"

18.3.04

Sardão FM

O Lagarto gosta de estar informado e que se fale da sua terra. Como a imprensa regional anda um pouco arredada da melhor qualidade na informação e dispensa a sua atenção para os concelhos mais populosos da região, sugere-se aqui o ressurgir de uma rádio sardoalense para que a informação regional volte a ter importância para o Lagarto. Aqui fica uma ligeira resenha, à guisa de sugestão, para a programação da desejada rádio “Lagarta”.


Programação da Sardão FM

07-10 horas; O Despertar do Lagarto – Espaço noticioso difusor das primeiras notícias recolhidas no mercado diário e nas padarias da Vila. Informações sobre o estado do trânsito nos principais acessos ao Sardoal.

10-12.30 horas; Fórum Sardão - a discussão da actualidade local. Tema de hoje: “Estará a Procissão dos Fogaréus a salvo de atentados perpetrados por grupos extremistas?”

12.30-14; Notícias ao almoço – Espaço alargado de informação onde são cruzadas múltiplas notícias com o intuito de “separar o trigo do joio”, ou seja determinar o que é verdade e o que não passa de atoarda e vilipêndio.

14-17.30; Discos a Pedido – Para tardes pouco ocupadas, em que o tempo parece nunca mais passar, nada como se fazer acompanhar pelas melhores composições da canção ligeira lusa. Não se esqueça da frase, “Nos bairros do Sardoal curte-se o Pimba Nacional!”

17.30 - 19; Alcoviteiras & Coscuvilheiras – Depois de um dia no emprego o debate sobre trivialidades e futilidades. Emissões em directo desde fontanários e pastelarias.

19 – 20; Hora Da Bola- as tácticas, os treinos e o actual estado do G.D.R. Lagartos em debate.

20-21; O Que É O Jantar? – A pergunta típica que o marido Lagarto faz ao chegar a casa, serve de pretexto para uma hora de conversa sobre a gastronomia local. Hoje, “Deve a Cozinha Fervida ser servida com bacalhau assado ou com entremeada na brasa?”.

21-23; Pipa do Lagarto – Magazine sobre bebidas de cariz etílico generoso. Intervenções diárias em directo de alguns botequins lagartos para aquilatar o estado da “mini” e do traçadinho.

23-02; Berg, Borg, Bock – Magazine sobre generalidades que aborda múltiplas vertentes da diversão nocturna lagarta. O “snooker”, os “flippers”, ou a simples tertúlia, como pretexto para emborcar cervejolas. (Espaço patrocinado por algumas cervejeiras nacionais.)

02-07; Crimes e Escapadelas – Rádio novela romântico/policial, puramente ficcional, sobre aventuras românticas adúlteras e sobre as desventuras da pequena criminalidade da Vila Jardim.


"As notícias locais eram o terreno neutro onde caminhavam a par, e sem conflito, as curiosidades do auditório."

Júlio Dinis, "Uma Família Inglesa"


16.3.04

Ficção Científica

Daqui a 100 anos...

“Sardoal, 16 de Março de 2104

A empresa japonesa “MecheKu” terminou na semana finda a implantação do sistema de transporte da Capela de S. Sebastião. Este sistema permitirá deslocar a Capela, durante as comemorações da Semana Santa, para o centro da Vila. Desta forma os “Lagartos” que desejem apreciar o “tapete florido” postado na Capela, deixarão de ter a necessidade de se locomover a pé até às Olarias, visto que não existem muitos locais de parqueamento automóvel nessa zona.
Esta obra, reclamada desde o início do século passado pela população, enquadra-se no desígnio “O Lagarto é para estar ao Sol” posto em prática pelo actual elenco directivo do Cantão Beirão-Andaluz, do Distrito Iberia. Recordamos outros projectos desta iniciativa; “EcoPonto - Porta a Porta”; “Tapetes Rolantes nas Procissões”; “Venha ao Bodo – Vamos Buscá-lo à Cama” e “Eleições?! Vote nos seus locais de lazer”
.”


"À memória as lembranças do passado,
Magoadas coas ideias do presente,
D envolta com receios do futuro;
E acaso de esperança verdejava
Leve folha dos ventos assoprada."

Almeida Garret, "Camões"


12.3.04

Semáforos já "piscam"!!!



Após longos meses de espera os semáforos instalados junto ao cruzamento do Pisco e do Ribeiro Barato já se encontram a funcionar, por enquanto intermitentes.
Duvida-se que alguns condutores Lagartos saibam interpretar estes sinais! Muitos deles nem param no "STOP" junto ao antigo "Casado"!...


"A locomotiva silvou; os semáforos duma gare imensa fustigaram a semi-obscuridade do vagão."

Aquilino Ribeiro, "Filhas da Babilónia"


11.3.04

Jogos de Bola

A massificação dos videojogos nos lares nacionais parece ter afastado as crianças dos tradicionais jogos de rua. Começa a ser raro ver a miudagem a jogar; às escondidas, à apanhada, aos índios e “cowboys”, mas sobretudo a jogar à bola. Estes jogos que fizeram a delícia de muitas crianças ao longo de várias décadas, são aos poucos substituídos pelos “Tomb Raiders”, “FIFAs” e outros da mesma laia.
Um dos jogos mais populares foi e será sempre o futebol. Jogava-se à bola desde que se saia da escola até que a noite se começava a instalar. O raspanete dos pais era certo pois os trabalhos de casa tinham sido protelados para horas tardias. O prazer de correr atrás de uma bola, mais uma vez, tinha sido mais forte que a vontade de estudar a tabuada do 8.
Os locais desses jogos assumiam o carisma de estádios com mística própria não fossem eles alguns dos lugares mais simbólicos da Vila Jardim. Jogava-se à bola no Adro (antes de levar calçada), no Sobreiro de Dona Maria, no pelado da antiga escola primária, no relvado do heliporto dos Bombeiros Municipais. Alguns desses recintos eram a “casa” de alguns bairros. Isto notava-se sobretudo quando o pessoal de um bairro se dirigia para o “seu” recinto e este já se encontrava ocupado por outros virtuosos da bola. Das duas uma, ou arranjava-se logo ali uma disputa bairrista, ou o grupo de fora era persuasivamente convidado a abandonar o local. Nem que fosse à pedrada...
Alguns desses jogos entre “bairros” davam às disputas o prestígio de “derby”. Ficam para a história alguns dos confrontos, de finais de 80 e princípios de 90, entre as Ruas Velhas e o Bairro e, algum tempo depois, entre a Tapada da Torre e a parte baixa da Vila. Para esses confrontos mais importantes tentava arranjar-se uma bola de “cauchu”, o que desde logo dava um outro carisma à partida. Convinha que o dono da bola fosse minimamente respeitado, não fosse ele chatear-se e meter a bola debaixo do braço. Se não houvesse uma bola suplente, que seria uma bola de borracha vulgar, sem câmara de ar, o pessoal tinha de ir para casa, frustrado, e adiar o desforço para ocasião mais conveniente.
Parece improvável que se volte a ver estas contendas futebolísticas nos dias de hoje. Talvez levando uma televisão e uma Playstation, com o último “FIFA”, para o Sobreiro se volte a ver a miudagem a “jogar” à bola por lá!...


"(...) numa época principalmente caracterizada pelo espírito de jerarquia, perpassavam rápidos ou lentos, apinhavam-se, disputavam, irritavam-se, riam, dispersavam-se."

Alexandre Herculano, "O Bobo"


Jóli "vence" competição na "Foto Digital" Jóli - para quem ainda desconhece, digno e prezado "relações públ...