6.10.03

Casa Falcão



Os estabelecimentos comerciais, ditos, tradicionais, caíram em declínio com o surgimento das grandes superfícies comerciais. Na nossa região, esse declínio, começou em meados de 90, com o surgimento da cadeia Intermarché em Abrantes.
Algumas lojas acabaram por fechar, outras reformularam-se, outras ainda, mantiveram, insistentemente, a sua gama de produtos e a mesma forma de funcionamento. A "Casa Falcão" enquadra-se neste último grupo.
Servindo várias gerações de sardoalenses, desde há décadas, neste estabelecimento comercial, é possível encontrar praticamente tudo. O saudoso slogan da antiga Rádio Antena Livre, "Casa Falcão, o verdadeiro centro comercial de Sardoal, muitas lojas numa só.(...)", não podia ser mais acertado. Para quem não conhece, a "Casa Falcão" divide-se em 3 zonas. O balcão junto à entrada serve a secção de retrosaria, o balcão seguinte serve a secção de mercearia, e última secção dispõe de artigos de pronto-a-vestir e calçado. Provavelmente, a grande maioria dos jovens sardoalenses comprou o seu primeiro par de sapatilhas na "Casa Falcão".
Existem produtos naquelas prateleiras, que já não se encontram à venda em lugar algum. Talvez por isso, alguns jovens mais irreverentes, procurem a "Casa Falcão", na altura do Natal, para comprar lembranças, para a troca de prendas da turma, com uma carga mais exótica. Em que outro local é possível encontrar ainda produtos da gama "Couto", ou da gama "Olex"?
Durante a década de 80, o Natal chegava à Vila quando a "Casa Falcão" enfeitava as suas montras, com brinquedos e luzes. Nessas épocas a loja era um local de passagem obrigatório para todas as crianças, ansiosas por sonhar com o último modelo dos Transformers ou dos Nenucos no sapatinho.
Longe do fulgor e popularidade doutros tempos a “Casa Falcão” mantém ainda assim, um núcleo de clientela fiel, que ainda não se converteu por inteiro, às compras massificadas nas grandes superfícies comerciais.

A "Casa Falcão" é um dos últimos símbolos do comércio sardoalense.


"A casa parecia ter sido puxada por uma mão misteriosa que a tivesse arrastado para longe."

Camilo José Cela, "A Família de Pascoal Duarte"

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