Quem já visitou Óbidos, concerteza notou as semelhanças entre a sua zona histórica e a zona histórica da nossa Vila. As casas estão caiadas de branco, as sacadas estão floridas, respira-se história em cada pedra da calçada. Há mesmo uma rua por lá que parece ter sido decalcada da nossa Rua do Paço.
Óbidos é um dos mais prestigiados destinos turísticos do nosso país e o Sardoal ainda não é. Porque será?
O segredo está nas muralhas. Óbidos é uma vila muralhada e o Sardoal não.
As muralhas dão uma outra perspectiva ao visitante, tornam o ambiente mais medieval, apelam mais à imaginação histórica, quase que nos colocam dentro da História. Qualquer visitante de Óbidos não resiste a subir até às ameias de granito, circundar a vila lá no alto e vislumbrar os telhados das habitações, os coloridos alegretes, ver a paisagem circundante à Vila (se o tempo estiver favorável, pode avistar-se o mar!).
Sardoal Virtual faz aqui uma proposta radical mas que em muito pode contribuir para a divulgação da Vila, e colocá-la definitivamente no roteiro de qualquer turista competente. Muralhar a Vila! Desta forma teríamos uma Vila com mais requinte histórico, o que impulsionaria o turismo, e quem sabe aumentaria o comércio turístico, algo em que o Sardoal é altamente deficitário.
As muralhas também poderiam ter uma vertente de defesa, não para nos defender de qualquer horda de invasores, como em séculos passados podiam ter servido, mas para impedir o acesso a alguns grupos amantes da estultícia (vindos de algumas aldeias vizinhas ao Concelho), que por vezes nos visitam nas noites de fim-de-semana e dos quais dispensaríamos a visita.
A indústria extractiva dos granitos agradeceria tal iniciativa pois iria revitalizar um mercado que desde o século XVI está em acentuado declínio. Já não se fazem castelos como antigamente...
É verdade que não teríamos anais das muralhas com a sua história e acontecimentos mais relevantes, mas os Lagartos são criativos e rapidamente se encarregariam de colocar algumas das principais personagens da nossa história a combater invasões muçulmanas no topo das ameias, ou até mesmo, reis a gerar bastardos nalguma guarita ou torre de menagem.
Referende-se a proposta. Os sardoalenses devem decidir.
"E quando a lua desponta por cima dos castanheiros, êsse astro tantas vezes invocado pelo velho lirismo da localidade, não hesitaria em reconhecer na sua decantada serra, no alcantilado relêvo da penedia, nas ameias do castelo dos Mouros, na densa espessura dos arvoredos, no murmúrio da água por entre os musgos, no cheiro das giestas úmidas de orvalho (...)"
Ramalho Ortigão, "As Farpas"