Esperança no Futuro
Desde a mais tenra infância é desejo do "Lagarto" viver toda a sua existência na Vila que tanto gosta. Mas o amor à terra onde se nasceu, muitas vezes, não é o suficiente para se fixar definitivamente ao local onde tem as suas raízes.
Vicissitudes da vida, mas maior parte das vezes falta de oportunidades, levam à partida para paragens mais distantes. Paragens onde seja mais fácil, a concretização dos sonhos que se vão gerando ao longo da vida, onde as condições para se estabelecer sejam mais tentadoras e apelativas. No fundo, o que todos querem é, um emprego estável, bem remunerado; habitação (que não seja excessivamente onerosa); oferta cultural regular e diversificada; no fundo qualidade de vida.
A principal causa desta "fuga" de jovens é a deficitária oferta de emprego. Como é sabido a economia do concelho não é suficientemente sólida e robusta para absorver toda a nova geração que procura emprego, sobretudo os jovens que estão a acabar os seus cursos superiores. Se a oferta de emprego para quem tem o 12º ano de escolaridade é escassa, para jovens licenciados é nula. (E por muito boa vontade que haja a Câmara Municipal não pode empregar toda a gente!...)
Quanto à habitação o mal é geral. Mas os jovens por serem menos dotados financeiramente têm ainda mais dificuldades em obter habitação. Tão díficil como obter o primeiro emprego, é adquirir a primeira habitação em condições que não coloquem um torniquete nas finanças do jovem arrendatário. Além de dispendiosa as habitações no Sardoal são escassas, sobretudo na chamada habitação social, que seria um bom tirocínio para os jovens, até que não estejam dotados das condições económicas necessárias à aquisição de habitação própria.
A oferta cultural, ainda que escassa na Vila (não há quem produza mas também não há quem assista), é bastante regular em localidades bem próximas de nós, e mesmo mais distantes fisicamente mas próximas temporalmente. Longe vai o tempo em que o Sardoal parecia estar no fim do mundo e a longas horas de viagem de qualquer ponto do litoral. Durante décadas o cenário foi bem pior. A melhoria das redes viárias colocaram-nos mais próximos da dita "civilização". Hoje estamos a 1:30 de Lisboa, a 1:30 das praias do litoral, a 2:00 da neve (Serra da Estrela). Noutros tempos pareciamos estar no fim do mundo. Benditas auto-estradas...
Neste momento está a ser formada nas salas de aula das escolas e universidades deste país a geração mais letrada de sempre do nosso concelho. É uma oportunidade única na nossa história para que se dê um forte impulso à criação de condições para reter os jovens na Vila.
O Sardoal tem quase todas as condições para dotar os seus cidadãos com uma qualidade de vida de excepção. É uma Vila acolhedora, calma, bonita, tranquila, segura, com bons ares, com riqueza histórica e patrimonial, dotada de quase todas as infraestruturas (algumas em conclusão, outras que estão a caminho), servida por uma excelente rede viária, no entanto falta o principal...
Não há quem tenha uma varinha de condão que possa magicar a solução para este problema mas concerteza que poderemos encontrar pequenas soluções para evitar que, década após década, a Vila se vá esvaziando de pessoas, sobretudo jovens.
Para que um dia não se olhe para trás e se veja como se deixou fugir esta geração para outras paragens.
"Alegria como a haverá na Cidade para esses milhões de seres que tumultuam na arquejante ocupação de desejar – e que, nunca fartando o desejo, incessantemente padecem de desilusão, desesperança ou derrota?"
Eça de Queirós, "A Cidade e as Serras"
Breve publicação, profusa em estúrdia e estultícia, ou não, dedicada à "última fronteira" do Ribatejo Norte.
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