Há coisas que nunca vão mudar!...
Uma das melhores formas de aquilatar a história de um povo, e de como determinados feitios parecem perdurar século a após século, é dada pelas deliciosas histórias que as gerações mais velhas se encarregam de transmitir às gerações mais novas. Muitas vezes do domínio do imaginário, há pequenos contos e lendas, que dizem mais sobre a forma de estar de um povo, do que qualquer jornal regional que se preze (na nossa região isto não é nada díficil de verificar!...)
Eis uma dessas histórias que provavelmente só os velhinhos, muito velhinhos, terão ouvido falar...
Aquando da elevação do lugar de Sardoal a Vila, a 22 de Setembro de 1531, por D. João III, foi ordenada a demarcação de um novo termo da novel Vila. Para efectuar estas novas demarcações foram criadas duas comissões de "homens bons", uma Abrantina e outra Sardoalense, que seriam responsáveis pelo estabelecimento das novas fronteiras concelhias. Apesar da contestação dos nossos vizinhos abrantinos pela perda de uma parcela do seu concelho as novas demarcações foram efectuadas e a 10 de Agosto de 1532, D. João III, concedeu a nova carta de demarcação de termo à Vila do Sardoal.
Passemos agora domínio do conto...
Para demarcar os novos limites concelhios chegou-se à seguinte fórmula, os Homens Bons de Abrantes e Sardoal deviam postar-se às portas dos respectivos Paços do Concelho, à mesma hora, provavelmente de madrugada, e aguardar que alguns tiros de bombarda fossem disparados das ameias do Castelo de Abrantes. Estes disparos seriam o tiro de partida para o início de um percurso a pé em que ambos os grupos de homens se iam dirigir em sentidos opostos. Os homens bons de Abrantes partiriam em direcção ao Sardoal, e os homens bons "Lagartos" partiriam em direcção a Abrantes. No local onde se cruzassem seria colocada a nova marcação que delimitaria os concelhos.
Avaliando a distância dos Passos do Concelho do Sardoal até essa marcação, o lugar conhecido como Marco, e comparando com a distância que os Homens Bons de Abrantes percorreram, podem ser colocadas duas questões:
Terão os Homens Bons de Abrantes saído antes dos disparos?
Ou será que a Comissão Lagarta se deixou dormir?
Deixa-se a óbvia refutação a cargo do prezado leitor!...
"Enfermiços, cansados, comodistas, incapazes de entenderem as realidades e de entenderem com elas."
Agostinho de Campos, "A Fé no Império"
Breve publicação, profusa em estúrdia e estultícia, ou não, dedicada à "última fronteira" do Ribatejo Norte.
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