Quem se lança numa conquista romântica sabe que deve seguir umas quantas normas de protocolo, não vá o alvo do namoro sentir-se desrespeitado e invalidar qualquer tipo de avanço logo à partida. Se por acaso se tem interrogado pela melhor forma de conquistar a Vila Jardim, Sardoal Virtual deixa aqui algumas dicas para tentar arrebatar o coração do objecto da sua paixão...
A nossa Vila é particularmente vaidosa e, como qualquer mulher, gosta de se sentir desejada e de alinhar em jogos de sedução. A sequência habitual de corte encontra na própria Vila recantos adequados aos diferentes níveis de galanteio e de intensidade amorosa.
Todas as relações começam pela palavra. O melhor lugar para “soprar” alguns carinhos afectuosos ao ouvido da Vila é o Pelourinho. Não dá azo a faltas de respeito pois é um local assaz movimentado, e assim o casal está sempre debaixo de olho de quem passa por ali. Um pouco como os bailes do antigamente, nos quais os rapazes convidavam a dançar as meninas alinhadas no extremo oposto do “dancing”. Isto depois da proverbial autorização das mães ou avós que acompanharam as meninas em idade casadoira até ao bailarico.
Quando a empatia desponta e os sentimentos começam a ser correspondidos inicia-se a troca de carícias e beijos fugazes. O Adro com os seus escaninhos e largos horizontes é o local certo para as “explorações” iniciais da conquista. No entanto, convém estar atento não surja algum “pai” de cajado em riste, procurando reabilitar a honra da Vila à custa de umas bordoadas nos costados do conquistador...
Quando o coração da Vila estiver completamente rendido às suas palavras afectuosas e aos seus beijos entusiásticos, talvez seja a altura de, durante a escuridão, se encontrar com a Vila nalgum fontanário e dar a máxima expressividade ao seu amor embarcando numa noite de luxúria e de fogosos momentos de paixão...
Se os intensos momentos de paixão não foram devidamente cuidados e um “lagartinho” vier a caminho, o casório, já se sabe, é na Igreja Matriz...
Confiamos que não use estas dicas para embarcar com a Vila num romance de uma só noite. Para cantar a “canção do bandido” já cá temos uns quantos lagarteiros!...
“E o nada, que me abriu no peito e, feito imenso,
O encheu, bem como um vaso, abrindo, encheu a flor,
Há-de alagar teu peito e ser do templo incenso...
Mulher! hás-de escutar, que eu vou falar d'amor!”
Antero de Quental, "Primaveras Românticas"