18.6.04

Pelo regresso à Fonte Férrea



Em tempos idos, eram diversos os casais que aproveitavam os múltiplos recantos da Fonte Férrea para temperar os seus romances com uma pitada de paixão mais dissoluta.
Aproveitando um espaço propício à comunhão com a natureza - as rãs coaxam; a água corre pelo ribeiro; o arvoredo do Vale da Mata enche as vistas com um bonito colorido – os pares românticos espalhavam-se pelos diversos escaninhos da Fonte, sabendo sempre que estavam seguros o suficiente para não serem apanhados em flagrante em actividades que muita beata (e por estas bandas existem umas quantas...) condenariam e coscuvilhariam por toda a Vila. Esta segurança advém do facto de existir somente um caminho de acesso à Fonte, logo facilmente se controlam os acessos de quem entra no seu espaço.
Este “regresso” dos pares românticos à Fonte Férrea teria duas vantagens. Primeira, o espaço da Fonte deixaria de estar um pouco ao abandono. Segunda, numa altura em muito casal anda por caminhos esconsos no alto do Andreus a dar asas à paixão (tanto que aquela zona já está na rota de passeio de algumas alcoviteiras), o regresso à Fonte seria o regresso da paixão à Vila. Estamos a chegar ao Verão e a “Lagartagem” precisa de se entreter nas conversas de café e de padaria a falar de mais um casal de “Lagartos” apanhado em comportamentos libertinos nos fontanários...


“Porque contra o competente decoro, que é uma das mais honrosas leis da natureza, ninguém pode sem delito ser licensioso.”

D. Francisco Manuel de Melo, “Apólogos Dialogais”


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