Em tempos idos, eram diversos os casais que aproveitavam os múltiplos recantos da Fonte Férrea para temperar os seus romances com uma pitada de paixão mais dissoluta.
Aproveitando um espaço propício à comunhão com a natureza - as rãs coaxam; a água corre pelo ribeiro; o arvoredo do Vale da Mata enche as vistas com um bonito colorido – os pares românticos espalhavam-se pelos diversos escaninhos da Fonte, sabendo sempre que estavam seguros o suficiente para não serem apanhados em flagrante em actividades que muita beata (e por estas bandas existem umas quantas...) condenariam e coscuvilhariam por toda a Vila. Esta segurança advém do facto de existir somente um caminho de acesso à Fonte, logo facilmente se controlam os acessos de quem entra no seu espaço.
Este “regresso” dos pares românticos à Fonte Férrea teria duas vantagens. Primeira, o espaço da Fonte deixaria de estar um pouco ao abandono. Segunda, numa altura em muito casal anda por caminhos esconsos no alto do Andreus a dar asas à paixão (tanto que aquela zona já está na rota de passeio de algumas alcoviteiras), o regresso à Fonte seria o regresso da paixão à Vila. Estamos a chegar ao Verão e a “Lagartagem” precisa de se entreter nas conversas de café e de padaria a falar de mais um casal de “Lagartos” apanhado em comportamentos libertinos nos fontanários...
“Porque contra o competente decoro, que é uma das mais honrosas leis da natureza, ninguém pode sem delito ser licensioso.”
D. Francisco Manuel de Melo, “Apólogos Dialogais”