Na história da filosofia e do estudo do pensamento muitas foram as formas propostas por vários filósofos para conceber o raciocínio. Um dos mais famosos foi o “Método” de Descartes.
Para quem está um pouco alheado d’“O Método”, este consiste em quatro regras básicas que procuram estabelecer uma forma universal para elaborar um raciocínio coerente aplicando alguns conceitos usados na matemática. Vejamos como este método é, por vezes, aplicado na Vila Jardim...
1. A primeira regra é a evidência: com esta regra procura evitar-se toda a precipitação e prevenção, e só ter por verdadeiro o que é claro e distinto. Por aqui, pelo Sardoal, muitas vezes se extrapolam os factos e se goza de liberdade criativa para criar “factos de padaria”. A diferença entre espírito crítico e criatividade factual consiste na análise rigorosa daquilo que existe e do que acontece de facto, face à análise inquinada aos supracitados “factos de padaria”. Aquilo que não existe ou não acontece, dificilmente pode ser evidente...
2. A segunda é a regra da análise: esta regra deve ser utilizada para dividir cada uma das dificuldades em tantas parcelas quantas forem possíveis. Com alguns Lagartos a ser apossados pelo “espírito de reformado” (diz-se mal de tudo e de todos, mas a dificuldade para mover a massa glútea do banco da “sueca” impede outro tipo de participação...), a análise é habitualmente feita ao todo e dificilmente se conseguem desmontar alguns “puzzles” mais elaborados. Também acontece a análise via desconhecimento, quando se procura discorrer sobre factos desconhecidos. Esta última instância é um bom momento de distracção. Por vezes não há nada mais divertido do que ver alguém discorrer convictamente sobre assuntos dos quais visivelmente não sabe o suficiente...
3. A terceira é a regra da síntese: esta regra define que a ordem dos pensamentos deve começar pelos objectos mais simples e mais fáceis de conhecer para, lentamente, ascender a objectos mais complexos. Ora a síntese é sempre difícil de elaborar após uma bebida noite num estabelecimento de animação nocturna sardoalense. Não poucas vezes a torrente de ideias e declarações ganha contornos de “dilúvio bíblico”, ou seja, uma grande confusão de formulação de conceitos dos quais pouco ou nada se aproveita.
4. A quarta e última regra é o rigor: esta regra define que os objectos devem ser desmembrados não deixando nada omitido. Não poucas vezes as omissões, ou esquecimentos convenientes, servem para “corromper” a validade de uma ideia. As faltas de lembrança são usadas para optimizar conceitos. Estes perdem a legitimidade quando encaram com alguns dos objectos “esquecidos”, pois a desconstrução pela razão é mais inteligível do que a construção por omissão.
“Alvitro, logo existo.”
“Qualquer coração de homem justo, qualquer cérebro de ente pensante, há-de encontrar acentos com que bata no rosto da soberba humana...”
Rui Barbosa, Conferência de Petropólis