19.3.04

Ela Está a Chegar!!!




"Contigo nos nasce o ano mais fermoso,
Mais rosada, e mais loura a Primavera,
Co céu de alvas flores mais cheiroso"

António Ferreira, "Cartas II"

18.3.04

Sardão FM

O Lagarto gosta de estar informado e que se fale da sua terra. Como a imprensa regional anda um pouco arredada da melhor qualidade na informação e dispensa a sua atenção para os concelhos mais populosos da região, sugere-se aqui o ressurgir de uma rádio sardoalense para que a informação regional volte a ter importância para o Lagarto. Aqui fica uma ligeira resenha, à guisa de sugestão, para a programação da desejada rádio “Lagarta”.


Programação da Sardão FM

07-10 horas; O Despertar do Lagarto – Espaço noticioso difusor das primeiras notícias recolhidas no mercado diário e nas padarias da Vila. Informações sobre o estado do trânsito nos principais acessos ao Sardoal.

10-12.30 horas; Fórum Sardão - a discussão da actualidade local. Tema de hoje: “Estará a Procissão dos Fogaréus a salvo de atentados perpetrados por grupos extremistas?”

12.30-14; Notícias ao almoço – Espaço alargado de informação onde são cruzadas múltiplas notícias com o intuito de “separar o trigo do joio”, ou seja determinar o que é verdade e o que não passa de atoarda e vilipêndio.

14-17.30; Discos a Pedido – Para tardes pouco ocupadas, em que o tempo parece nunca mais passar, nada como se fazer acompanhar pelas melhores composições da canção ligeira lusa. Não se esqueça da frase, “Nos bairros do Sardoal curte-se o Pimba Nacional!”

17.30 - 19; Alcoviteiras & Coscuvilheiras – Depois de um dia no emprego o debate sobre trivialidades e futilidades. Emissões em directo desde fontanários e pastelarias.

19 – 20; Hora Da Bola- as tácticas, os treinos e o actual estado do G.D.R. Lagartos em debate.

20-21; O Que É O Jantar? – A pergunta típica que o marido Lagarto faz ao chegar a casa, serve de pretexto para uma hora de conversa sobre a gastronomia local. Hoje, “Deve a Cozinha Fervida ser servida com bacalhau assado ou com entremeada na brasa?”.

21-23; Pipa do Lagarto – Magazine sobre bebidas de cariz etílico generoso. Intervenções diárias em directo de alguns botequins lagartos para aquilatar o estado da “mini” e do traçadinho.

23-02; Berg, Borg, Bock – Magazine sobre generalidades que aborda múltiplas vertentes da diversão nocturna lagarta. O “snooker”, os “flippers”, ou a simples tertúlia, como pretexto para emborcar cervejolas. (Espaço patrocinado por algumas cervejeiras nacionais.)

02-07; Crimes e Escapadelas – Rádio novela romântico/policial, puramente ficcional, sobre aventuras românticas adúlteras e sobre as desventuras da pequena criminalidade da Vila Jardim.


"As notícias locais eram o terreno neutro onde caminhavam a par, e sem conflito, as curiosidades do auditório."

Júlio Dinis, "Uma Família Inglesa"


16.3.04

Ficção Científica

Daqui a 100 anos...

“Sardoal, 16 de Março de 2104

A empresa japonesa “MecheKu” terminou na semana finda a implantação do sistema de transporte da Capela de S. Sebastião. Este sistema permitirá deslocar a Capela, durante as comemorações da Semana Santa, para o centro da Vila. Desta forma os “Lagartos” que desejem apreciar o “tapete florido” postado na Capela, deixarão de ter a necessidade de se locomover a pé até às Olarias, visto que não existem muitos locais de parqueamento automóvel nessa zona.
Esta obra, reclamada desde o início do século passado pela população, enquadra-se no desígnio “O Lagarto é para estar ao Sol” posto em prática pelo actual elenco directivo do Cantão Beirão-Andaluz, do Distrito Iberia. Recordamos outros projectos desta iniciativa; “EcoPonto - Porta a Porta”; “Tapetes Rolantes nas Procissões”; “Venha ao Bodo – Vamos Buscá-lo à Cama” e “Eleições?! Vote nos seus locais de lazer”
.”


"À memória as lembranças do passado,
Magoadas coas ideias do presente,
D envolta com receios do futuro;
E acaso de esperança verdejava
Leve folha dos ventos assoprada."

Almeida Garret, "Camões"


12.3.04

Semáforos já "piscam"!!!



Após longos meses de espera os semáforos instalados junto ao cruzamento do Pisco e do Ribeiro Barato já se encontram a funcionar, por enquanto intermitentes.
Duvida-se que alguns condutores Lagartos saibam interpretar estes sinais! Muitos deles nem param no "STOP" junto ao antigo "Casado"!...


"A locomotiva silvou; os semáforos duma gare imensa fustigaram a semi-obscuridade do vagão."

Aquilino Ribeiro, "Filhas da Babilónia"


11.3.04

Jogos de Bola

A massificação dos videojogos nos lares nacionais parece ter afastado as crianças dos tradicionais jogos de rua. Começa a ser raro ver a miudagem a jogar; às escondidas, à apanhada, aos índios e “cowboys”, mas sobretudo a jogar à bola. Estes jogos que fizeram a delícia de muitas crianças ao longo de várias décadas, são aos poucos substituídos pelos “Tomb Raiders”, “FIFAs” e outros da mesma laia.
Um dos jogos mais populares foi e será sempre o futebol. Jogava-se à bola desde que se saia da escola até que a noite se começava a instalar. O raspanete dos pais era certo pois os trabalhos de casa tinham sido protelados para horas tardias. O prazer de correr atrás de uma bola, mais uma vez, tinha sido mais forte que a vontade de estudar a tabuada do 8.
Os locais desses jogos assumiam o carisma de estádios com mística própria não fossem eles alguns dos lugares mais simbólicos da Vila Jardim. Jogava-se à bola no Adro (antes de levar calçada), no Sobreiro de Dona Maria, no pelado da antiga escola primária, no relvado do heliporto dos Bombeiros Municipais. Alguns desses recintos eram a “casa” de alguns bairros. Isto notava-se sobretudo quando o pessoal de um bairro se dirigia para o “seu” recinto e este já se encontrava ocupado por outros virtuosos da bola. Das duas uma, ou arranjava-se logo ali uma disputa bairrista, ou o grupo de fora era persuasivamente convidado a abandonar o local. Nem que fosse à pedrada...
Alguns desses jogos entre “bairros” davam às disputas o prestígio de “derby”. Ficam para a história alguns dos confrontos, de finais de 80 e princípios de 90, entre as Ruas Velhas e o Bairro e, algum tempo depois, entre a Tapada da Torre e a parte baixa da Vila. Para esses confrontos mais importantes tentava arranjar-se uma bola de “cauchu”, o que desde logo dava um outro carisma à partida. Convinha que o dono da bola fosse minimamente respeitado, não fosse ele chatear-se e meter a bola debaixo do braço. Se não houvesse uma bola suplente, que seria uma bola de borracha vulgar, sem câmara de ar, o pessoal tinha de ir para casa, frustrado, e adiar o desforço para ocasião mais conveniente.
Parece improvável que se volte a ver estas contendas futebolísticas nos dias de hoje. Talvez levando uma televisão e uma Playstation, com o último “FIFA”, para o Sobreiro se volte a ver a miudagem a “jogar” à bola por lá!...


"(...) numa época principalmente caracterizada pelo espírito de jerarquia, perpassavam rápidos ou lentos, apinhavam-se, disputavam, irritavam-se, riam, dispersavam-se."

Alexandre Herculano, "O Bobo"


9.3.04

Tiros e atropelos “no” Sardoal



O mau tratamento que, muitas vezes, alguns “lagarteiros” dão à Vila Jardim parece ter reflexo na placa que indica a entrada em domínios Sardoalenses. A placa indicadora de chegada ao Sardoal, junto à Ponte do Ramal, parece não ter escapado a algumas “chumbadas” e abalroamentos por alguns “lagartos” que certamente por falta de outras actividades mais lúdicas decidiram desancar “no” Sardoal. Aliás este mau tratamento à entrada da Vila não é novidade, basta recordar a memorável inscrição “Bem Vindo à Vila Lixo”, feita num muro alguns metros mais à frente, há alguns anos atrás. Este tipo de manifestações devem ser excelentes cartões de visita para os forasteiros que procuram visitar locais na melhor tradição do “far west”. Uns arbustos secos a rebolar, movidos pelo vento, e pequenos remoinhos de pó completariam o quadro.
Como convém que a apresentação da Vila seja primorosa desde os seus limites, recomenda-se a substituição da actual placa por uma reforçada a titânio e com colete à prova de balas (os japoneses já devem ter pensado nisto!), não vá alguém teimar em continuar a fazer de alvo “o” Sardoal, ou demonstrar dificuldades na gincana do Ramal/Olarias e volte a recurvar um pouco mais o sinal indicador de chegada à Vila.


"Chegámos enfim ao alto; a majestosa entrada da grande vila está diante de mim. Não me enganou a imaginação... grandiosa e magnífica cena!

Almeida Garret, "Viagens Na Minha Terra"


7.3.04

As vistas da Ponte do Ramal estavam assim ao início da noite




"Exteriorizar impressões é mais persuadirmo-nos de que as temos do que termo-las."

Fernando Pessoa, "O Livro do Desassossego"


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