29.9.03

Festas do Concelho 2003, a análise



As Expectativas
Finalmente o tempo esteve de feição. Desde 1997 que chovia em todas as edições, e a chuva já começava a ser tradição. As primeiras chuvas de Setembro davam já o sinal de que um dos pontos altos da vida cultural e social da Vila se aproximava. O primeiro cheiro a terra molhada, um pouco como as madalenas para Proust, despertavam as recordações dos anos anteriores. As grandes bebedeiras, (as figuras tristes); os bons concertos, (os pulos até à exaustão); os petiscos pela madrugada, (a azia matinal); os amigos que só se vêem uma vez por ano (alguns sem grande entusiasmo!).

As Tascas
Este ano tivemos um número anormalmente alto de tasquinhas, 23! Claro que nem todas podem ser chamadas verdadeiramente de tasquinhas, as roullotes de cerveja, de alguma forma, representam o mais puro dos mercantilismos festeiros, e o desvirtuar do espirito tasca (talvez fosse pertinente a introdução de requisitos mínimos para a atribuição de licença para uma tasquinha, para que se evitasse as tasquinhas caixa vermelha com bica de imperial). Claro que há excepções, boas excepções. Confesso que não fui a todas as tasquinhas, muito longe disso, mas houve três das quais gostei particularmente; Tasquinha "A Cavalariça", Tasquinha "N.º 1" e a Tasquinha da Ass. de Monte Cimeiro.
N' "A Cavalariça" geralmente eram onde acabavam as noites e onde o grupo certo para os finais de noite se encontrava. Na "N.º 1" fiz a minha melhor refeição destas festas, uma Picanha à Brasileira, que apesar de estar bastante simples, fez-me pedir uma segunda dose, o que é prova da sua eficácia. E o destaque especial vai, é claro, para a "Tasquinha da Ass. de Monte Cimeiro", pois é aquela que de alguma forma procura preservar as tradições da nossa terra, seja pela via gastronómica, tendo todos os dias pratos típicos do concelho, e por ser aquela que mais convidava ao convívio dos "palradores", havia um bom ambiente, muitas mesas e cadeiras, e jarros de sangria a um preço bastante acessível, para que pudesse ser combustível de conversas. O bairrismo (no bom sentido) e a união que as gentes de Monte Cimeiro demonstram nesta tasca, devia ser um exemplo para outras localidades do concelho, inclusive para a Vila. Somos demasiado pequenos para divisões e tricas desnecessárias.

O Cartaz
O cartaz não prometia muito. Era unânime a opinião de que este seria, porventura, o cartaz mais fraco dos últimos anos. Mas os fiéis das Festas sabem como isso é pouco importante. O importante é que as pessoas certas se juntem, e saibam fazer das Festas aquilo que à partida não prometem; inovação, variedade e vivacidade.
Como é óbvio, não vi todos os eventos propostos pelo cartaz das festas, nem mesmo aquele que seria o ponto alto destas festas. Vi os concertos da primeira noite, e apesar de ambas as bandas terem estado bem, Assemblent e Hyubris, acho que a escolha dos Assemblent é um pouco descuidada. Independentemente da qualidade que revelam, isso não está em causa, o seu tipo de música está muito longe de ser apropriado a um evento deste tipo, especialmente no palco principal. Por alguma razão, no dia seguinte, muitas pessoas, particularmente as mais velhas, classificavam o concerto como "muito mau". Era uma forma até de reservar o próprio grupo. Seria interessante, em festas futuras, a criação de um palco secundário em que se desse voz a grupos mais alternativos, não necessariamente musicais; poderia ser uma rapaziada a fazer "Stand Up", uma miudagem a dançar, uma peça de teatro (onde está o teatro nas Festas do Concelho?). poderia até funcionar como atracção após o fecho do palco principal. Haja vontade!
A noite de fados trouxe muita gente à festa! Não estive com atenção ao concerto, não sou um grande apreciador, mas vi pelo entusiasmo das pessoas mais velhas, que devem ter gostado. O fado ainda arrasta multidões mesmo que a qualidade de alguns artistas não seja a esperada...
Quanto a Quinta do Bill, parece ter sido um concerto fabuloso. Digo parece, pois vi somente uma pequena parte do concerto. A opinião unânime dos espectadores indicava uma satisfação total e a esperança que não voltem a passar 15 anos até ao seu regresso ao Sardoal.
De Pedro Barroso, não tenho qualquer feedback. Na última noite já não estive no Sardoal e não tenho qualquer informação do que aconteceu no palco principal.
Nas outras actividades; as exposições foram regulares, com algum destaque para as fotos do "Cameramen Metálico"; o "Adventure Paper" foi uma "aventura", e proporcionou um dia muito bem passado, cheio de actividades radicais, perguntas curiosas para respostas ainda mais curiosas, e a oportunidade de conhecer um pouco mais do nosso concelho.

Mostra de Artesanato
O que se passa? Toda a gente o diz, "De ano para ano a mostra de artesanato está mais fraca!". É verdade que a promoção dos artesãos da terra é importante, mas não será a presença de boleiras e doceiras desproporcionada e até um pouco despropositada? O espaço é curto, é sabido, e a deslocalização da mostra de artesanato, iria descaracterizar a festa, mas concerteza existem soluções para alargar o número de expositores, e dotar as festas de uma "verdadeira" mostra de artesanato, a exemplo do que têm os nossos vizinhos de Vila de Rei e de Abrantes. E as mostras de artesanato levam muitas pessoas a quaisquer festas. Justificar-se-á um stand da "Associação de Pais"? Ou de órgãos de comunicação social, com uma presença quase nula. O modelo devia ser repensado.

O Ambiente
Houve um recorde de afluência de visitantes. No Sábado à noite, dia 20 de Setembro, era muito difícil a deslocação junto à Praça da República, quase impossível e só os mais pacientes, os que não se importam de levar encontrões e pisadelas em número bem anormal, se atreviam a atravessar a multidão. Não houve distúrbios de monta, nem ataques de mangueira em riste pela madrugada, quem estava nas Festas de 2002, sabe do que falo. As tascas estiveram sempre bem compostas. E apesar de não haver "actividades oficiais" após o fecho do palco principal, ficaram sempre centenas de pessoas a circular pelas ruas, ou a aproveitar os últimos petiscos que as tascas dispunham, é que cerveja, essa, há sempre!
E o balanço é sempre positivo! Até pró ano...

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