O tempo parece passar cada vez mais depressa. Os anos passam fugazmente. Não tarda estaremos curvados sobre a bengala, bocas desdentadas e com os sentidos cada vez menos apurados. A incapacidade de tomarmos conta de nós próprios vai-se acentuando com o passar da idade, o discernimento deixa de ser o mesmo, e é cada vez mais necessário alguém que zele pela nossa qualidade de vida.
Chegados à terceira idade muitos Lagartos começam a acorrer aos serviços do Lar da Misericórdia. Podem começar por receber as refeições em casa, fazer centro de dia e, numa última etapa, chegar à aposentação nas instalações junto ao Convento.
Por vontade própria, mas muitas vezes "depositados" pela família, os Sardoalenses são acolhidos pela sua última grande família. As pessoas com as quais vão conviver até ao fim das suas vidas, os "velhos" amigos, as empregadas que zelosamente deles irão cuidar.
Passarão os últimos anos da sua vida com a dignidade que uma vida muitas vezes ingrata terá furtado. Comida à mesa, roupa lavada, cuidados de saúde (além de loucos torneios de sueca e intrincadas competições de croché).
Cada vez é mais díficil arranjar uma vaga no Lar. Há cada vez mais idosos e cada vez menos vontade das famílias para deles cuidarem. Portanto se considera estar numa idade respeitável e deseja passar os seus últimos dias nesta "toca", faça a sua inscrição e aguarde vez. A sua velhice não tardará a chegar...
Muitas vezes esquecemo-nos de os respeitar, mas um dia todos o seremos.
"... verdadeiro asilo de velhice desamparada, onde fui encontrar centenário um, e octogenários os outros, quatro remanascentes das velhas senzalas de engenho."
Gilberto Freyre, "Casa-Grande e Senzala"