O estudo da toponímia é fundamental para a compreensão da etnografia de um povo. Esse estudo pode fazer-se, desde a classificação por línguas até às causas que promoveram o aparecimento dos topónimos, isto é, o seu sentido.
Por esta Vila, existem dezenas de ruas com nomes que facilmente podem ser explicados. A génese do topónimo Travessa dos Ferreiros ou Largo da Amoreira, não parece particularmente árdua de determinar. Mas como explicar Poço da Ratinha?!
Do Poço não há já qualquer vestígio, apesar da sua importância em séculos passados (Até mereceu carta régia no século XVI!), mas o que dizer da Ratinha?
No ínicio deste estudo etnográfico, Sardoal Virtual interrogou-se acerca do significado deste substantivo. Pensámos que podia estar relacionado com os movimentos de camponeses nos anos 40 e 50, para o Alentejo, para trabalhar nas ceifas, os ratinhos. Uma dessas trabalhadoras rurais poderia ter tido habitação junto ao Poço e devido à popularidade obtida nas suas lides, não necessariamente agrícolas, ter-se-ia tornado a fiel depositária do dito.
No entanto as referências ao Poço, atravessam os séculos e a explicação da Ratinha agrícola cai por terra.
O substantivo Ratinha, pode ter conotações mais concupiscientes. Pode referir-se à parte pudenda feminina, o que tornaria a explicação do topónimo bem mais simples.
Sempre houve "ratinhas" no Sardoal e provavelmente nesse largo existiu uma particularmente dotada, que se tornou tão popular, que acabou por baptizar o Poço. Felizmente ainda parece haver por aí muitas "ratinhas" prendadas...
No entanto, para que a toponímia não seja discriminadora para com as nossas outras concidadãs, Sardoal Virtual, sugere a alteração para Poço das Ratinhas. Com esta alteração, todas as sardoalenses poderiam tornar-se donas de um património histórico, mesmo desaparecido. Pois não havendo qualquer disfunção de ordem anatómica, todas as Lagartas têm uma...
"...não hesito em afirmar que o nome que lhe deram (...) é um claro absurdo de toponímia..."
Brito Camacho, "Gente Rústica"