15.10.03

Vizinhanças Altruístas



Os Sardoalenses são um povo generoso, afável, afectuoso, amigo do seu amigo e bastante altruísta (sobretudo se o altruísmo não lhes sair do bolso).
Um dos melhores exemplos desse altruísmo lagarto, é a forma descomprometida como a vizinhança partilha os seus gostos musicais entre si. Este fenómeno dá-se particularmente nos chamados "bairros sociais" da Vila.
Generosamente, a vizinhança eleva o volume do seu sistema de recepção radiofónico, até décibeis próximos daqueles produzidos por um MIG 21, e partilha com os demais tão belos e profundos temas, que só um melómano atento e ávido por requinte musical poderia conhecer. Como é bom, enquanto procuramos pôr a leitura em dia, ou simplesmente descansar um pouco da azáfama diária, sentir a vibração das janelas, em ritmo harmonioso com as ondas sonoras que rasgam os ares.
Um dos momentos mais gratificantes destas transmissões, que é mostra da preocupação pelo próximo, é a difusão radiofónica, em volume tonitruante, nas manhãs de Sábado e Domingo, dos programas de discos pedidos. E toda a experiência, é bastante mais enriquecedora se a própria vizinha acompanha as melodias com a sua portentosa e melódica voz.
No fundo, o que os cuidadosos vizinhos querem fazer ouvir, às 9.30 da manhã de Domingo, é que a vida é demasiado curta para estarmos a desperdiçar uma manhã de fim-de-semana em repouso no leito, obstando o sono reparador e obrigando assim o ocioso vizinho a levantar-se; após uma noite que acabou às 6 da manhã...
São pessoas magnânimes, que põem o bem comum à frente da sua saúde, pois duvida-se que tais volumes sonoros, não prejudiquem com alguma gravidade o ouvido interno, podendo ter desta forma problemas auditivos ou de simples equílibrio.
Que bom é, iniciar os domingos ao som do galante Tony Carreira ou da fogosa Claudisabel.


"Isto cá é a confraria, e tudo o resto é chinfrinada."

Eça de Queirós, "Os Maias"

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