30.10.03

Viva o G.R.E.T.A.S.!!!



Como se sabe o Sardoal é uma Vila com uma vida cultural deficitária. Embora também seja verdade, que todos se queixam que nunca acontece nada, e quando há qualquer coisa quase ninguém aparece.
Sardoal Virtual reflectiu sobre o assunto e talvez tenha encontrado uma solução que agradará a todos os interessados em actividades culturais. A criação de um movimento, na área circense, que dote a Vila de um cartaz cultural regular, e que faça os Lagartos acreditar novamente na sua capacidade criativa.
Esta associação poderia ter o sugestivo nome de G.R.E.T.A.S., acrónimo de "Grupo, de Rapaziada Espirituosa e Taumaturga, Animador dos Sardoalenses".
Este domínio, circense, parece ser de grande futuro pois tem bastantes candidatos para as várias actividades a ser desenvolvidas pelo grupo. Vejamos, haveriam múltiplos números de palhaços (não parece faltar por aí que se preste a cenas ridículas), teríamos alguns números de contorcionismo (porque há sempre quem consiga ter a ductibilidade de se mover entre diferentes facções, consoante os interesses pessoais), números com animais (escusado será dizer quem seria a estrela destes), prestidigitadores (não falta por aí quem nos queria convencer a acreditar em ilusões), números de faquirismo (porque há quem goste de brincadeiras perigosas), entre outras actividades tão em voga na nossa Vila, mas muitas vezes sem a difusão que tão estultos cidadãos que as promovem mereceriam.
Haveria uma enorme pecha neste portentoso cartaz que seria a ausência de uma Mulher Barbuda. Mas há por aí outras "Lagartas", com similares características físicas de excepção, que com certeza despertariam a curiosidade dos Lagartos e até de espectadores de concelhos vizinhos.
Estas actividades decorreriam em ritmo semanal, em palcos móveis pelas várias ruas e praças da Vila. Para que não houvesse desculpas para faltas de comparência.
Isto até que não se finalizem as obras do nosso assombroso Centro Cultural...

Porque o Circo também é Cultura!


"Vem dous foliões do Sardoal, um se chama Jorge outro Lopo, e diz a
Serra:
Sois vós de Castela manos
ou lá de baixo do estremo?

Jorge:
Agora nos faria o demo
a nós outros castelhanos
queria antes ser lagarto
pelos santos avangelhos.

Serra:
Donde sois?

Jorge:
Do Sardoal
e ou bebê-la ou vertê-la
vimos cá desafiar
a toda a serra da Estrela
a cantar e a bailar.

Rodrigo:
Soberba é isso perém
pois há ‘qui tantos pastores
e tam finos bailadores
que nam hão medo a ninguém.

Lopo:
Muitos ratinhos vão lá
de cá da serra a ganhar
e lá os vemos cantar
e bailar bem coma cá
e é assi desta feição"

Gil Vicente, "Auto da Serra da Estrela"

29.10.03

Patinagens Automobílisticas



As primeiras chuvadas desta estação potenciam, como mostram as estatísticas, os acidentes de viação. Os pisos ficam escorregadios, os condutores demoram a adaptar-se às novas condições climatéricas e mantêm a tradicional falta de atenção, precaução e civismo tão característica aos pilotos de automóveis nacionais.
Obviamente as estradas da Vila não estão imunes aos aguaceiros e também elas se prestam a patinagens no pavimento. A pior alameda da Vila no que a este assunto concerne, é a Avenida Heróis do Ultramar. Os condutores que desconheçam as condições do piso, e até mesmo os que conhecem, podem com enorme facilidade, deslizar rua abaixo, após uma travagem mais brusca ou uma aceleração mais intensa. Por enquanto, não houve acidentes de monta, mas ninguém prevê o futuro, e quem sabe se um dia destes não acontecerá por lá um acidente com alguma dimensão. Longe vá o agoiro...
Parecem estar para breve obras de reparação no pavimento, portanto, até lá, desça a Avenida com atenção e sem pretensões de Ayrton Senna. Nem todos nascem prendados para conduzir à chuva.

"...pareciam baixar do céu em vão sereno, singrando em doce deslize"

Coelho Neto, "Banzo"

28.10.03

Feira da Fossa

Hoje, como é tradicional, decorre mais uma Feira da Fossa. Longe vão os tempos em que era uma das mais pujantes feiras da região. Importante mercado onde se comerciavam cereais, frutos secos e cabeças de gado. Aliás a chafurdice provocada pelos suínos em transacção parece ter cognominado a feira desde há vários séculos.
Hoje, sinal dos tempos, vendem-se outros produtos, que não deixando de ser tradicionais, reflectem uma outra forma de encarar este tipo de mercados. Talvez por isso, ano após ano, a Feira parece estar mais triste, menos variada e menos frequentada, quer por clientes, quer por feirantes.
Sardoal Virtual sugere uma visita à Feira. Aproveite para comprar os frutos secos da época, plantas, árvores de fruto, packs de slips a preços económicos ou calças de prestigiadas marcas a valores imbatíveis.
Os feirantes agradecem e a tradição também.


"E porque as virtudes, Senhor Deus, que digo, se foram perdendo de dias em dias, com a vontade que deste ó Messias memoria o teu Anjo que ande comigo, Senhor, porque temo ser esta feira de maus compradores, porque agora os mais sabedores fazem as compras na feira do Demo, e os mesmos Diabos são seus corretores."

Gil Vicente, "Auto da Feira"

27.10.03

Grandiosos Festejos



Faz hoje um mês que tiveram ínicio as "emissões" de Sardoal Virtual. Começou por ser um pequeno devaneio para os amigos, mas essas alcoviteiras dos tempos modernos que são os motores de busca, espalharam este blog pelas leituras diárias de muitas mais pessoas (se é que se pode dizer que três pessoas são "muitas mais"!). Na altura em que são escritas estas linhas estão contabilizadas 586 visitas e 1284 "page views". Além de Portugal, fomos visitados por leitores da Alemanha, Brasil, Canadá, Estados Unidos, França, Macau, Moçambique e outros. Muito mais do que era esperado naquela tarde de chuva em que um impulso de estultícia levou à criação de tamanho pasquim.
Depois deste primeiro mês, Sardoal Virtual continua ainda por definir, com exactidão, o seu real propósito. Não é um jornal, porque não informa; não é um diário, porque raras são as confissões que não se possam difundir; não é um instrumento de contra poder, pois não afronta, de forma deselegante, pessoas e/ou instituições em particular.
Sardoal Virtual pretende ser apenas, como foi dito na primeira entrada, um repositório. Um local onde se possam cruzar, tendo como mote os delírios escritos dia-a-dia, as vivências, as preocupações, os amores ou desamores, dos Lagartos neste ínicio de século XXI.

Agradecendo a paciência e atenção, o autor (porque é só um):

Brutal Deluxe


"E ia levado, galopando numa alegria tão fumegante, que o lançava em sonho e devaneio."

Eça de Queirós, "A Ilustre Casa de Ramires"

26.10.03

Última Hora

Em jogo disputado esta tarde no pelado do Complexo Desportivo Municipal, a contar para a 2ª divisão distrital, o GDR Lagartos empatou com o GD Bemposta a uma bola. Os Lagartos sofreram um golo logo nos primeiros instantes da partida, e estiveram quase 90 minutos a assediar com grande intensidade a baliza do Bemposta. A agremiação local conseguiu o golo do empate ao minuto 93, após várias jogadas de insistência na área adversária. O autor do golo foi Tiago Leitão.
Acabou por ser um empate com sabor a vitória.
Porque Hoje é Domingo

"Crime de Assassínio no Sardoal

Homem morto a tiro de espingarda
O nosso estimado colega - A TRIBUNA - de Lisboa, descreve da seguinte forma o crime de assassínio há dias praticado no Sardoal e que tanto tem emocionado todos os habitantes daquela vila.

Foi ontem feita a autópsia do cadáver de José Mendonça, calceteiro, que ante-ontem foi assassinado com um tiro de espingarda por António Ramos, sapateiro, depois de encarniçada luta entre José Mendonça e seu irmão Rafael, e da qual saiu muito ferido.
Por enquanto não está perfeitamente averiguada a causa do crime.
O que porém se sabe é que, quando ante-ontem à noite os dois Mendonças se dirigiam para casa, se encontraram com o Ramos e travaram desordem sendo então o José Mendonça atingido por um tiro de chumbo de espingarda pelo sapateiro. Levado aquele em braços para casa de outro irmão ali faleceu horas depois.

Prisão do Assassino
Entretanto o assassino era preso em sua casa onde recolheu depois do crime como dissemos, hoje realizou-se a autópsia do cadáver de José Mendonça pelos Srs. Dr. Heitor e Victor Mora.
À porta do hospital ajuntou-se bastante gente, mas não foi permitida a entrada senão aos representantes dos jornais, Século, Diário de Notícias e Tribuna. Pelo resultado da autópsia, viu-se que a carga da espingarda que era chumbo nº 4 - alojou-se quazi toda na região abdominal indo um bago de chumbo ao coração que não chegou a atravessar. Depois da autópsia organizou-se o préstito fúnebre encorpando-se muito povo e a filarmónica desta vila "A NOVA" que durante o trajecto executou uma marcha fúnebre.

O Criminoso
Os médicos dirigiram-se ainda ao banco do hospital onde estava já o António Ramos, o criminoso. Causava horror olhar-lhe para o rosto. Estava gravemente ferido; consta que os ferimentos foram feitos pelo Rafael e seu irmão José. Afirma que está muito arrependido, e que se cometeu o crime foi porque viu muito perseguido pelos dois que o deixaram em tal estado que foi necessário que uns amigos o levassem em braços para casa, pois não se podia mexer.

Legítima Defesa?
Em conclusão: o que parece depreender-se das declarações do Ramos é que o crime foi praticado em legítima defesa. Que houve luta entre os dois calceteiros, é incontestável pelo estado em que se encontra o Ramos. Mas seria essa luta travada antes ou depois do tiro? - Ou seria antes e depois? Qualquer das duas hipóteses tem razão de ser, somente porque a espingarda com que foi praticado o crime se acha ensaguentada e partida, o que leva a crer que a vítima, e o irmão se agarraram à arma e ao criminoso depois do tiro. - À justiça compete averiguar os factos que são de capital importância.
Tal é a narração dos factos a que pouco mais temos que acrescentar.

Notas sobre o Crime
O criminoso António Ramos é viúvo e tem um filho de 14 anos.
No exame que lhe foi feito, viu-se que apresentava várias contusões e feridas pelo corpo, especialmente na cabeça, testa e sobre o olho esquerdo.
A autópsia do cadáver do infeliz José Maria Mendonça, foi feita no domingo último pelas 12 horas do dia, no hospital da Santa Casa da Misericórdia do Sardoal, com assistência médica dos Srs. Heitor e Mora, Dr. Guilherme Henrique de Moura Neves 1º substituto do Juiz de Direito, Dr. Pinto e Abreu, Delegado do Procurador Régio, João Ferreira dos Santos, oficial de diligências.
A morte foi devido a hemorragia no fígado.
O preso deu entrada nas cadeias desta vila (Abrantes) na segunda feira última. Por se achar bastante enfermo recolheu na sexta feira ao hospital onde ainda se conserva.
Mostra-se muito triste e apreensivo, lamentando a sua sorte."


Jornal Echo do Tejo
10 de Janeiro de 1904

25.10.03

Refundação do Pelourinho



Os pelourinhos, colunas de pedra ornadas, colocados em sítios centrais de cidades e vilas, foram locais onde, em tempos idos, os munícipios exerciam a sua justiça.
O Sardoal com toda a sua riqueza histórica não podia deixar de ter o seu pelourinho. Reconstí­tuido por volta de 1934, nas comemorações dos 400 anos da elevação do Sardoal a Vila, é conhecido pelo bonito enquadramento em que se encontra, sendo um dos nossos mais célebres cartões de visita.
Longe vão os tempos em que a justiça medieval usava tal sí­mbolo de poder para exercer as suas punições nos Lagartos mais pilantras da nossa Vila. Hoje, além de ser uma das "mobílias" mais bonitas de um dos nossos "salões", é usado como arqui-bancada para o palco durante as Festas do Concelho. Cidadãos precavidos e atentos, ocupam os degraus do pelourinho, para obterem as melhores vistas para o palco.
Para utilizar melhor os recursos desta terra, Sardoal Virtual sugere a refundação do Pelourinho com os propósitos iniciais. Que melhor maneira de ver que a justiça funciona, do que alguns gândulos expostos em público depois de comportamentos desviantes numa sociedade organizada e sem crime.
Às vezes dá vontade de ver alguns pendurados por lá...


"...amarrava-te ao pelourinho do escárneo público, visto que não pôde fazer-te deslocar os ossos no cavalete da Inquisição."

Camilo Castelo Branco, "A Caveira da Mártir"

Jóli "vence" competição na "Foto Digital" Jóli - para quem ainda desconhece, digno e prezado "relações públ...