Roteiro Emocional do Lagarto
O Lagarto é um “bicho” emotivo e nunca receia demonstrar as suas emoções (excepto se estas colocam em causa a sua virilidade, perante os outros másculos Lagartos!...). Para aqueles que desconhecem as emoções usuais do Lagarto, confidenciam-se aqui algumas das ocorrências que despoletam os sentimentos do cidadão – mais ou menos comum – da Vila Jardim.
Alegria – Quando, no início de Setembro, se começam a montar expositores e palcos pelas ruas da Vila...
Amor – Pelas fontes, pelas sacadas floridas, pelas vistas, pelos ares, pelas capelas, pelas festividades, pelas árvores de excepção...
Comoção – A audição das primeiras notas debitadas pela Filarmónica das músicas que pontuam a Procissão dos Fogaréus, nas celebrações da Semana Santa...
Estupefacção – Constatar que a menos de dois anos das eleições autárquicas a (verdadeira) oposição continua desaparecida em lugar incerto...
Excitação – O Centro Cultural está prestes a “alvoraçar” a Lagartagem...
Inquietação - ...se houver eventos em quantidade e qualidade!
Mofa – Algumas das personagens, cheias de pretensões, que vão pontuando o dia-a-dia da Vila...
Orgulho – Ostentar no bilhete de identidade, no campo “Naturalidade”, Sardoal...
Paixão – Pela Vila encantada e encantadora...
Regozijo – Ouvir as informações de trânsito matinais das grandes cidades e saber que, por aqui, o pior engarrafamento que se pode suportar são 2 minutos atrás de uma carroça ou de um característico “Papa – Reformas”...
Simpatia – Pelos últimos “resistentes” que se deslocam ao Mercado Municipal para mercadejar os seus produtos agrícolas...
Tristeza – Observar que anda por aqui um rancho de rapazotes com apetência pelo “graffiti” e pelo furto...
Veemência - ... e que muitos Lagartos estão exasperados , e impacientes para os “agasalhar”!...
"Pois era a imensidade de anos que levava a chegar lá, através de jardins encantados, onde cada recanto de bosque oferecia a emoção inesperada de um flirt, de uma batalha, ou de um banquete..."
Eça de Queirós, "Cartas de Amor"
Breve publicação, profusa em estúrdia e estultícia, ou não, dedicada à "última fronteira" do Ribatejo Norte.
6.1.04
5.1.04
Há coisas que nunca vão mudar!...
Uma das melhores formas de aquilatar a história de um povo, e de como determinados feitios parecem perdurar século a após século, é dada pelas deliciosas histórias que as gerações mais velhas se encarregam de transmitir às gerações mais novas. Muitas vezes do domínio do imaginário, há pequenos contos e lendas, que dizem mais sobre a forma de estar de um povo, do que qualquer jornal regional que se preze (na nossa região isto não é nada díficil de verificar!...)
Eis uma dessas histórias que provavelmente só os velhinhos, muito velhinhos, terão ouvido falar...
Aquando da elevação do lugar de Sardoal a Vila, a 22 de Setembro de 1531, por D. João III, foi ordenada a demarcação de um novo termo da novel Vila. Para efectuar estas novas demarcações foram criadas duas comissões de "homens bons", uma Abrantina e outra Sardoalense, que seriam responsáveis pelo estabelecimento das novas fronteiras concelhias. Apesar da contestação dos nossos vizinhos abrantinos pela perda de uma parcela do seu concelho as novas demarcações foram efectuadas e a 10 de Agosto de 1532, D. João III, concedeu a nova carta de demarcação de termo à Vila do Sardoal.
Passemos agora domínio do conto...
Para demarcar os novos limites concelhios chegou-se à seguinte fórmula, os Homens Bons de Abrantes e Sardoal deviam postar-se às portas dos respectivos Paços do Concelho, à mesma hora, provavelmente de madrugada, e aguardar que alguns tiros de bombarda fossem disparados das ameias do Castelo de Abrantes. Estes disparos seriam o tiro de partida para o início de um percurso a pé em que ambos os grupos de homens se iam dirigir em sentidos opostos. Os homens bons de Abrantes partiriam em direcção ao Sardoal, e os homens bons "Lagartos" partiriam em direcção a Abrantes. No local onde se cruzassem seria colocada a nova marcação que delimitaria os concelhos.
Avaliando a distância dos Passos do Concelho do Sardoal até essa marcação, o lugar conhecido como Marco, e comparando com a distância que os Homens Bons de Abrantes percorreram, podem ser colocadas duas questões:
Terão os Homens Bons de Abrantes saído antes dos disparos?
Ou será que a Comissão Lagarta se deixou dormir?
Deixa-se a óbvia refutação a cargo do prezado leitor!...
"Enfermiços, cansados, comodistas, incapazes de entenderem as realidades e de entenderem com elas."
Agostinho de Campos, "A Fé no Império"
Uma das melhores formas de aquilatar a história de um povo, e de como determinados feitios parecem perdurar século a após século, é dada pelas deliciosas histórias que as gerações mais velhas se encarregam de transmitir às gerações mais novas. Muitas vezes do domínio do imaginário, há pequenos contos e lendas, que dizem mais sobre a forma de estar de um povo, do que qualquer jornal regional que se preze (na nossa região isto não é nada díficil de verificar!...)
Eis uma dessas histórias que provavelmente só os velhinhos, muito velhinhos, terão ouvido falar...
Aquando da elevação do lugar de Sardoal a Vila, a 22 de Setembro de 1531, por D. João III, foi ordenada a demarcação de um novo termo da novel Vila. Para efectuar estas novas demarcações foram criadas duas comissões de "homens bons", uma Abrantina e outra Sardoalense, que seriam responsáveis pelo estabelecimento das novas fronteiras concelhias. Apesar da contestação dos nossos vizinhos abrantinos pela perda de uma parcela do seu concelho as novas demarcações foram efectuadas e a 10 de Agosto de 1532, D. João III, concedeu a nova carta de demarcação de termo à Vila do Sardoal.
Passemos agora domínio do conto...
Para demarcar os novos limites concelhios chegou-se à seguinte fórmula, os Homens Bons de Abrantes e Sardoal deviam postar-se às portas dos respectivos Paços do Concelho, à mesma hora, provavelmente de madrugada, e aguardar que alguns tiros de bombarda fossem disparados das ameias do Castelo de Abrantes. Estes disparos seriam o tiro de partida para o início de um percurso a pé em que ambos os grupos de homens se iam dirigir em sentidos opostos. Os homens bons de Abrantes partiriam em direcção ao Sardoal, e os homens bons "Lagartos" partiriam em direcção a Abrantes. No local onde se cruzassem seria colocada a nova marcação que delimitaria os concelhos.
Avaliando a distância dos Passos do Concelho do Sardoal até essa marcação, o lugar conhecido como Marco, e comparando com a distância que os Homens Bons de Abrantes percorreram, podem ser colocadas duas questões:
Terão os Homens Bons de Abrantes saído antes dos disparos?
Ou será que a Comissão Lagarta se deixou dormir?
Deixa-se a óbvia refutação a cargo do prezado leitor!...
"Enfermiços, cansados, comodistas, incapazes de entenderem as realidades e de entenderem com elas."
Agostinho de Campos, "A Fé no Império"
3.1.04
Votos Lagartos
Vem-se por este meio desejar a todos os Sardoalenses e amigos do Sardoal um ano de 2004 cheio de trabalho, esperança, vigor, coragem e, o mais importante, saúde.
São votos deste blogue para 2004:
-> Que o Centro Cultural seja o catalizador de uma nova mentalidade cultural e social "lagarta";
-> Regresso do GDR à primeira divisão distrital;
-> A ausência de vandalismo nas obras municipais em fase de conclusão (e em toda a Vila);
-> Que o próximo Verão não "ateie" mais uma vaga de incêndios;
-> A distinta linhagem "lagarto canina" seja assegurada por algumas crias descendentes de Jóli (é bom que Jóli se comece a interessar por fêmeas!...);
-> Que o Euro 2004 de futebol também passe por aqui;
-> O "regresso" bem sucedido de algumas colectividades da Vila;
-> Que alguns "lagarteiros" ganhem alguma coragem e abandonem um vilipendioso anonimato...
Pedem-se desculpas pelo atraso na formulação destes votos mas é costume que as coisas cheguem a estas bandas com algum tempo de atraso!... Não fosse algum Lagarto mais ortodoxo aborrecer-se com uma possível pontualidade...
"Repetiu o seu voto? Vejo que sim! Também serviu a Companhia em espírito e vontade? Espero que servisse!"
Rebelo da Silva, "A Mocidade de Dom João V"
Vem-se por este meio desejar a todos os Sardoalenses e amigos do Sardoal um ano de 2004 cheio de trabalho, esperança, vigor, coragem e, o mais importante, saúde.
São votos deste blogue para 2004:
-> Que o Centro Cultural seja o catalizador de uma nova mentalidade cultural e social "lagarta";
-> Regresso do GDR à primeira divisão distrital;
-> A ausência de vandalismo nas obras municipais em fase de conclusão (e em toda a Vila);
-> Que o próximo Verão não "ateie" mais uma vaga de incêndios;
-> A distinta linhagem "lagarto canina" seja assegurada por algumas crias descendentes de Jóli (é bom que Jóli se comece a interessar por fêmeas!...);
-> Que o Euro 2004 de futebol também passe por aqui;
-> O "regresso" bem sucedido de algumas colectividades da Vila;
-> Que alguns "lagarteiros" ganhem alguma coragem e abandonem um vilipendioso anonimato...
Pedem-se desculpas pelo atraso na formulação destes votos mas é costume que as coisas cheguem a estas bandas com algum tempo de atraso!... Não fosse algum Lagarto mais ortodoxo aborrecer-se com uma possível pontualidade...
"Repetiu o seu voto? Vejo que sim! Também serviu a Companhia em espírito e vontade? Espero que servisse!"
Rebelo da Silva, "A Mocidade de Dom João V"
28.12.03
Porque Hoje É Domingo (I)
"Ao excelentíssimo senhor Chefe da Estação Telegra-Postal do Sardoal
Pedimos as devidas providências para chamar a atenção do Encarregado da Caixa do Correio de Valhascos, porque nos consta, por queixas, que não é entregue em devido tempo, a correspondência.
O "Baluarte" aos assinantes alguns até desaparecem.
Aqui fica o pedido, e não desejaremos voltar ao assunto, porque se o fizermos, será doutra amostra a cortar o mal pela raiz. Se não verá."
"O Baluarte", nº 23
Janeiro de 1925
"Ao excelentíssimo senhor Chefe da Estação Telegra-Postal do Sardoal
Pedimos as devidas providências para chamar a atenção do Encarregado da Caixa do Correio de Valhascos, porque nos consta, por queixas, que não é entregue em devido tempo, a correspondência.
O "Baluarte" aos assinantes alguns até desaparecem.
Aqui fica o pedido, e não desejaremos voltar ao assunto, porque se o fizermos, será doutra amostra a cortar o mal pela raiz. Se não verá."
"O Baluarte", nº 23
Janeiro de 1925
Porque Hoje É Domingo (II)
"Correio de Valhascos
Por mais de uma vez nos temos queixado neste lugar, pedindo providências a quem competir, para os abusos cometidos pelo encarregado da Caixa do Correio no lugar de Valhascos, concelho de Sardoal, na correspondência que ali dá entrada, como aconteceu com o nosso jornal, umas vezes não entregando, outras vezes ficando com eles, porque não os entrega nem os devolve à redacção.
Não foi debalde a nossa reclamação, pois justiça nos foi feita, porque um empregado superior dos Correios de Valhascos, e segundo nos consta será desta vez que o povo de Valhascos se verá livre de tal absoluto.
Vamos ver o que saiu com tal sindicância, mas quere-nos parecer que a justiça se há-de fazer, e outra coisa não era de esperar, para sossego daquele povo, porque não tem seguro o segredo das suas correspondências.
No próximo número, trataremos mais deste assunto que nos merece toda a consideração, não só para nós, mas como para todo o povo do lugar de Valhascos."
"O Baluarte", nº 29
5 de Abril de 1925
"Correio de Valhascos
Por mais de uma vez nos temos queixado neste lugar, pedindo providências a quem competir, para os abusos cometidos pelo encarregado da Caixa do Correio no lugar de Valhascos, concelho de Sardoal, na correspondência que ali dá entrada, como aconteceu com o nosso jornal, umas vezes não entregando, outras vezes ficando com eles, porque não os entrega nem os devolve à redacção.
Não foi debalde a nossa reclamação, pois justiça nos foi feita, porque um empregado superior dos Correios de Valhascos, e segundo nos consta será desta vez que o povo de Valhascos se verá livre de tal absoluto.
Vamos ver o que saiu com tal sindicância, mas quere-nos parecer que a justiça se há-de fazer, e outra coisa não era de esperar, para sossego daquele povo, porque não tem seguro o segredo das suas correspondências.
No próximo número, trataremos mais deste assunto que nos merece toda a consideração, não só para nós, mas como para todo o povo do lugar de Valhascos."
"O Baluarte", nº 29
5 de Abril de 1925
Porque Hoje É Domingo (III)
"Correio de Valhascos
Ainda não se sabe a esta hora, o resultado que deu a sindicância feita ao encarregado daquela estação postal de Valhascos.
Não é tarde a resolução deste caso, porque tem os seus trâmites a seguir.
Seja o que for e haja o que houver, a Caixa do Correio não pode continuar em poder do actual encarregado, porque prova dos abusos cometidos no exercício das suas funções são esmagadoras e criminosas. Não valerá ao "pia cucos", funcionário da Caixa dos Correios, fique certo disso, porque a justiça, e um povo como é o dos Valhascos, não pode estar à mercê de um "pia cucos", que sem respeito por ninguém, abuse dos seus segredos com graves prejuízos. Embora o mano se gabe que tem uma pedra sobre o assunto, nada vale sobre este caso, embora perfilhe toda a sua casta de poucas vergonhas, como é sabido. Temos é certo, grande respeito e consideração por pessoas, que não veem aqui para o caso, que ligam por afinidade com esta questão, nem por isso deixaram de usar da nossa liberdade de acção criticando casos desta natureza e estamos certos que nos não levarão a mal o nosso gesto, mesmo para a nossa própria dignidade de família honesta, e de inteira responsabilidade."
"O Baluarte", nº 31
26 de Abril de 1925
"Correio de Valhascos
Ainda não se sabe a esta hora, o resultado que deu a sindicância feita ao encarregado daquela estação postal de Valhascos.
Não é tarde a resolução deste caso, porque tem os seus trâmites a seguir.
Seja o que for e haja o que houver, a Caixa do Correio não pode continuar em poder do actual encarregado, porque prova dos abusos cometidos no exercício das suas funções são esmagadoras e criminosas. Não valerá ao "pia cucos", funcionário da Caixa dos Correios, fique certo disso, porque a justiça, e um povo como é o dos Valhascos, não pode estar à mercê de um "pia cucos", que sem respeito por ninguém, abuse dos seus segredos com graves prejuízos. Embora o mano se gabe que tem uma pedra sobre o assunto, nada vale sobre este caso, embora perfilhe toda a sua casta de poucas vergonhas, como é sabido. Temos é certo, grande respeito e consideração por pessoas, que não veem aqui para o caso, que ligam por afinidade com esta questão, nem por isso deixaram de usar da nossa liberdade de acção criticando casos desta natureza e estamos certos que nos não levarão a mal o nosso gesto, mesmo para a nossa própria dignidade de família honesta, e de inteira responsabilidade."
"O Baluarte", nº 31
26 de Abril de 1925
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