O presépio da Igreja Matriz é bastante simples este Natal. Compõe-se das figuras mais simbólicas e absolutamente necessárias. O menino Jesus, sua mãe, o homem que lhe deu o nome (a concepção deu-se em forma de milagre por uma entidade divina), o burro (esse animal tão simpático e tantas vezes ofendido), a vaca (as mesmas palavras usadas para o burro aplicam-se aqui), e os Reis Magos. Não há pastores nem rebanhos, não há lavadeiras, não há cursos de água, não há muitas das figuras que compõem os presépios mais faustosos. Mas o que realmente faz falta neste presépio é o musgo. Bem se sabe, que o musgo é coisa que começa a rarear um pouco por estas bandas, mas a um presépio de Natal sem musgo não devia ser autorizado chamar-se de presépio. Invente-se outro substantivo.
Longe vão os tempos em que os natais sardoalenses eram "iniciados" com o presépio da Igreja Matriz e as iluminações das montras da Casa Falcão (já repararam que ainda existem daqueles trens de cozinha de brincar que faziam as delícias dos infantes nos idos de 80? Reparem na montra...). Hoje em dia, a instalação da iluminação natalícia (este ano deveras simples e circunscrita, a crise a isso obriga) da Câmara Municipal dá o sinal de partida para o início da quadra na Vila Jardim. Daqui até aos Reis os abusos (g)astrónomicos vão provocar muitas azias matinais, já para não falar dos abusos de índole líquida pelas frias noites festivas, que poderão dar bastantes dores de cabeça e enjoos matinais. Haja contenção a bem da saúde lagarta!...
Há uma coisa que faz falta na noite de Natal sardoalense. Uma tradição secular e que parece estar "adormecida", uma grande fogueira comunitária, em local simbólico. O Adro é o local ideal, para que os sardoalenses depois das consoadas em família, possam gozar da afamada camaradagem lagarta, noite fora. Haja a fortuna de alguém promever estas labaredas natalícias no próximo ano.
"Como meu Deus e Senhor, tratarei de vosso santo Presépio, e daquele ditoso diversório sagrado, aonde vós, sendo Divino, por amor dos pecadores, quisestes nascer humanado."
Pantaleão de Aveiro, "Itinerário"