Têm aparecido por estas bandas alguns depósitos de lixo doméstico nos locais mais inusitados, especialmente junto a cursos de água. Sardoal Virtual nunca esquecerá a mítica carcaça de uma máquina de lavar roupa, em pleno curso de água, na Ribeira do Cabril.
Estes depósitos de lixo têm intrigado Sardoal Virtual por uma simples razão: a Câmara Municipal, através dos seus serviços de recolha de lixo, procede à colheita dos despojos Lagartos com a frequência que se conhece. Além destas recolhas, existe um serviço camarário, mensal, que procede à recolha de lixos de grandes dimensões ou de natureza imprópria para a convencional recolha de lixo doméstico. Para requerer este serviço, basta uma ida aos serviços competentes, ou para os mais atarefados e com menos disponibilidade, um curto e prático telefonema. Apesar deste serviço municipal, o que leva então alguém a pegar numa máquina de lavar roupa (ou lixo doutra estirpe), transportá-la para uma carrinha de caixa aberta, tudo isto durante a calada da noite, andar por carreiros esconsos em busca de um lugar, não muitas vezes recôndito, e lançar uma máquina de lavar roupa para o leito de uma ribeira? Quando com um simples telefonema podia tratar, sem qualquer esforço da sua adequada eliminação!... Ninguém na plenitude das suas capacidades faz isto, logo a explicação terá de ser bastante mais sobrenatural!... Ou o Lagarto, por natureza um cidadão cívico, ensandeceu de vez, ou apelando a alguma força divina tem exercido a prática da levitação de lixos vários, mas por alguma razão estranha, esta capacidade desvanesce-se junto a cursos de água, o que leva à queda abrupta destes pelos declives sobraceiros às ribeiras do concelho. (O que se pode constatar neste momento no Vale da Amarela, em que alguém, sucessivamente, tem deixado cair lixo dos céus. Velhas malas, livros, roupa, entre outros...)
Afinal, há por aqui Lagartos mais dotados do que se pensava!...
"...metia nojo aos porcos. Fartei-me de varrer lixo e teias de aranha."
Aquilino Ribeiro, "A Batalha sem Fim"