23.12.03

Receita da Época (*)

Cabrito Assado

Ingredientes:

- 1 cabrito (com 3/4 kg);
- 3 limões;
- 6 dentes de alho;
- 100 g de banha;
- 1 ramo de salsa;
- 0,5 dl de azeite;
- 2 folhas de louro;
- 1,5 dl de vinho tinto;
- 2 kg de batatas (de preferência curvas e pequenas);
- 300 g de cebolas;
- Água, sal, pimenta e colorau q.b.

Limpar o cabrito. Cortar em rodelas o limão. Colocar o cabrito em água fria com rodelas de limão durante 4 a 5 horas. Descascar e lavar o alho. Lavar a salsa e o louro. Pisar no almofariz o alho, um pouco de sal e a salsa. Adicionar a pimenta, o colorau, a banha e o azeite, misturar bem. Juntar o louro cortado em pedaços e cerca de um quarto do vinho tinto e envolver muito bem. Escorrer e enxaguar o cabrito, salpicar com um pouco de sal e o restante vinho tinto, e esfregar bem com a preparação obtida anteriormente. Colocar o cabrito numa assadeira de barro e deixar repousar durante duas horas.
Descascar e lavar as batatas e as cebolas. Cortar em pequenos pedaços a batata e em gomos a cebola, salpicar a batata e a cebola com um pouco de sal. Dispõr a batata e a cebola em redor do cabrito e levar ao forno a 170 ºC. Cortar o cabrito em pedaços e servir bem quente.
Sugere-se vinho da terra a acompanhar, "Quinta do Côro", na sua variante Carignan. Bom apetite

(*) - Receita a pedido do prezado leitor Daniel Grácio.
Redefinição das Leis da Física Vs. Falta de Civismo



Têm aparecido por estas bandas alguns depósitos de lixo doméstico nos locais mais inusitados, especialmente junto a cursos de água. Sardoal Virtual nunca esquecerá a mítica carcaça de uma máquina de lavar roupa, em pleno curso de água, na Ribeira do Cabril.
Estes depósitos de lixo têm intrigado Sardoal Virtual por uma simples razão: a Câmara Municipal, através dos seus serviços de recolha de lixo, procede à colheita dos despojos Lagartos com a frequência que se conhece. Além destas recolhas, existe um serviço camarário, mensal, que procede à recolha de lixos de grandes dimensões ou de natureza imprópria para a convencional recolha de lixo doméstico. Para requerer este serviço, basta uma ida aos serviços competentes, ou para os mais atarefados e com menos disponibilidade, um curto e prático telefonema. Apesar deste serviço municipal, o que leva então alguém a pegar numa máquina de lavar roupa (ou lixo doutra estirpe), transportá-la para uma carrinha de caixa aberta, tudo isto durante a calada da noite, andar por carreiros esconsos em busca de um lugar, não muitas vezes recôndito, e lançar uma máquina de lavar roupa para o leito de uma ribeira? Quando com um simples telefonema podia tratar, sem qualquer esforço da sua adequada eliminação!... Ninguém na plenitude das suas capacidades faz isto, logo a explicação terá de ser bastante mais sobrenatural!... Ou o Lagarto, por natureza um cidadão cívico, ensandeceu de vez, ou apelando a alguma força divina tem exercido a prática da levitação de lixos vários, mas por alguma razão estranha, esta capacidade desvanesce-se junto a cursos de água, o que leva à queda abrupta destes pelos declives sobraceiros às ribeiras do concelho. (O que se pode constatar neste momento no Vale da Amarela, em que alguém, sucessivamente, tem deixado cair lixo dos céus. Velhas malas, livros, roupa, entre outros...)

Afinal, há por aqui Lagartos mais dotados do que se pensava!...


"...metia nojo aos porcos. Fartei-me de varrer lixo e teias de aranha."

Aquilino Ribeiro, "A Batalha sem Fim"

22.12.03

Receita da Época

Sonhos de Abóbora

Ingredientes:

- 0,5 l de água;
- 150 g de abóbora menina;
- casca de 1/4 de limão;
- 150 g de manteiga;
- 1/2 cálice de aguardente;
- 10 ovos;
- 150 g de açucar;
- 350 g de farinha.

Colocar num tacho com a abóbora, a casca de limão, a manteiga e a aguardente. Levar ao lume até ferver.
Misturar a farinha e cozer, mexendo sempre, até a massa se despegar do fundo do tacho. Deixar arrefecer e misturar os ovos, um a um. Deitar colheradas de massa em óleo fervente. Retirar quando estiverem louros. Passar por açúcar e canela.
Noutros tempos foi assim!...

"Festividade de Natal

"Ande o frio por onde andar, o Natal o vai buscar", diz o povo e com razão, pois que se apresentou este ano frigidissimo, e com tal inclemência que apesar de tantos sardoalenses que estavam entre nós, a passar as consoadas com a família, as ruas estavam desertas, pois só quem tivesse necessidade de o fazer saía à rua.
Na noite de Natal apesar do frio, celebrou-se à meia noite a missa do galo, na Igreja Matriz, que se encontrava quazi cheia fiéis.
Não queremos deixar de fazer uma referência a um monumental presépio que foi erguido no Externato Rainha Santa Isabel, na nossa vila, no qual apreciamos belos trabalhos manuais alusivos ao presépio, e uma deslumrante iluminação que vista à noite, dava ao presépio grande imponência e valor.
Foi simpático o gesto dos proprietários daquele estabelecimento de ensino que durante aqueles dias e noites teve o presépio em exposição, franqueando a entrada a quantos quiseram visitar."

Regresso Natalício



A época que atravessamos é propícia a milagres. Desta forma, Sardoal Virtual associa-se à quadra e produz o seu pequeno milagre, ressuscita por uns dias. Em príncipio serão somente alguns dias em que se abordarão algumas temáticas, não necessariamente sobre a quadra que atravessamos, no mesmo estilo que notabilizou este blogue. Se o Menino Jesus for generoso para Sardoal Virtual pode ser que o regresso deste pasquim cibernético-lagarto se prolongue por mais tempo que o previsto pelo seu autor.
Espero que desculpem este semi-regresso, mas é uma forma de dar aos amigos deste blogue uma virtual prenda de Natal.
Aproveitando a deixa, ficam votos de Boas Festas e um Próspero Ano Novo.


Cordialmente,

Brutal Deluxe


"Mas como foi isto, meu Deus? Como foi isto? Que milagre foi este? Ai que versos Maria Santíssima! Que versos! (...)"

Júlio Dinis, "A Morgadinha dos Canaviais"

24.11.03

Adeus, Até Um Dia

Sardoal Virtual volta a soprar as velas, passam hoje dois meses desde o seu início. 1483 visitas e 3293 "page views" depois é a altura de partir. Não que as ideias estejam a desaparecer, não que tivesse havido alguma pressão para terminar, termina porque todas as coisas têm o seu espaço e o seu tempo, e claro o seu final.
Agradeço a todos aqueles que por correio electrónico, telefone e pessoalmente expressaram o seu apreço por este trabalho. Foram dois meses muito gratificantes e muito divertidos, espero que para a maioria dos leitores também o tenha sido.
Uma palavra especial para aqueles que seguiram Sardoal Virtual algures pelo mundo. Espero que este álbum de retalhos coloridos tenha sido uma pequena janela para a Vila e que tenha amenizado as saudades que têm tido do Sardoal (mesmo que nem sempre se tenha falado de coisas que interessem...)
Espera-se que este "blog" sirva de inspiração a outros projectos do género. Vão ver que com alguma imaginação, trabalho e paixão pelo Sardoal se podem fazer coisas bem interessantes.
Apesar do encerramento, o espaço manter-se-á aberto durante mais algumas semanas, para que as devidas recolhas de recordações possam processar-se sem pressas e atabalhoamentos.

Até um dia.


Saudações "Lagartas",

Brutal Deluxe


"Tendo feito um relatório de suas virtudes rematou-o confiadamente com esta conclusão."

Padre António Vieira, "Sermões III"

23.11.03

Porque Hoje é Domingo

"Até Parece...

Não, não parece... é mesmo bruxedo, assim dizem os locatários de uma residência ali para as bandas das Olarias, nesta vila, os quais andam alarmados com as peripécias ou fintas que lhes aplicam, algumas das quais vamos apresentar aos nossos leitores, tão comentadas e discutidas são, pois nestas coisas há sempre mais que uma opinião.
Já depois de caos de somenos importância, apareceu certo dia uma combinação cortada em tiras, pois tinha sido tesoura "BEM" afiada que o tinha feito (coisa de mulheres sem tesoura tinha algum jeito?)
Já se vê, intriga. Mas continua, pois outra noite os brincos em ouro são-lhe retirados e por encanto desapareceram, fizeram buscas e remexeram toda a casa e nada. Mas a sensação aumentou quando dias depois ao abrirem uma mala de roupa que tinha sido revista, encontraram cabelos atados e muito concertadinhos. Estavam ao de cimo, de forma a serem vistos à primeira. Agora só faltavam os brincos, e estes eram ainda mais valiosos, mas tinha se ser; passados dias, com a maior das naturalidades, estes apareceram sobre um guarda-prata, bem à vista, mas amolgados, pelo o que tiveram de ser levados a um ourives, que os reparou e colocou nas orelhas da dona, agora bem fechados, não vá a bruxa novamente tirá-los.
Agora, amigos leitores, não trago para aqui o nome dos protagonistas deste, chamem-lhe o que quiserem, episódio, para os não ferir talvez, a modéstia dos mesmos, mas não há dúvidas, os factos relatados, são mesmo verdadeiros, só nos parece, e isso confirma de qualquer forma, gasta-se muito com a instrução, mas não há dúvida, colhe-se bastante. E agora ficamos por aqui? Duvidamos, pois se a bruxa (ou bruxas) estiver a mudar de ares, é um "aborrecimento". Mas com os bons ares do Val da Mata, boas águas férreas é capaz de se sentir bem e... continuar."


Jornal de Abrantes
28 de Outubro de 1962

Jóli "vence" competição na "Foto Digital" Jóli - para quem ainda desconhece, digno e prezado "relações públ...